Capacitação visa fortalecer MIP no Estado
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terça-feira, 06 de outubro de 2015
Victor Lopes<br> Reportagem Local 
Trocar a aplicação de defensivos agrícolas de forma indiscriminada nas lavouras de soja, pelo conhecimento e as vantagens do Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIP-MID). Este é o objetivo do treinamento que começou ontem, na sede da Embrapa Soja em Londrina, direcionado a 130 extensionistas do Estado, promovido em conjunto com o Instituto Emater. A programação segue até amanhã com palestras específicas acerca do tema, ministrada por profissionais das duas entidades, com o objetivo de disseminar tal manejo de forma eficiente. Os técnicos que passam por capacitação assistem produtores em 15 regiões do Estado.
Durante a abertura do evento, foi lançada a publicação dos "Resultados do Manejo Integrado de Pragas na Cultura da Soja safra 2014/15", acompanhando 159 unidades de referência pelo Estado. O secretário da agricultura, Norberto Ortigara, participou da apresentação dos dados, que mostrou de forma prática como o manejo pode diminuir o número de aplicações de inseticidas e trazer economia significativa aos sojicultores.
De acordo com o estudo, no MIP, a lavoura deve ser monitorada semanalmente e os inseticidas químicos ou agentes de controle biológico são utilizados apenas quando realmente são necessários, a fim de evitar que as pragas causem dano à cultura. Dessa forma, proporciona-se proteção da lavoura com uso racional e eficiente de defensivos, reduzindo os custos de produção, o risco do desenvolvimento de pragas resistentes e a contaminação ambiental. "Quando lançamos um resultado prático, palpável, mais gente ganha conhecimento e busca informação para aplicar o MIP em sua propriedade. O importante dessa qualificação é que os extensionistas exerçam, de fato, um conhecimento agronômico diferenciado, e não engulam pacotes prontos que fazem o agricultor gastar desnecessariamente", salientou Ortigara, em entrevista à reportagem da FOLHA.
De fato, os números do manejo nas unidades de referência são significativos. Enquanto a média de aplicações de inseticidas foi de 4,7 na safra passada, nas propriedades acompanhadas, o número foi de apenas 2,1 aplicações. Já enquanto a primeira aplicação aconteceu com 35 dias nas áreas sem MIP, nas propriedades com acompanhamento, a primeira entrada com inseticida foi, em média, com 66 dias. "Isso equivale a uma economia de três sacas de soja por hectare, já que o custo de cada aplicação corresponde aproximadamente a uma saca. São números muito seguros, que convergem na mesma direção em todas as propriedades", explicou um dos responsáveis pelo documento, o pesquisador da área de transferência de tecnologia da Embrapa Soja, Osmar Conte.
O coordenador da área de grãos do Emater, Nelson Harger, também responsável pelo projeto, falou da importância de popularizar essas informações aos produtores e à sociedade. "Para isso, vamos promover giros técnicos com a pesquisa, reunindo lideranças e ou produtores das áreas de referências. Vamos também realizar dias de campos específicos e, por fim, a consolidação de um informe semanal, que mostra aos produtores o que está acontecendo nas lavouras do Paraná semanalmente, por região. Com essas referências, o produtor pode entrar com os controles na lavoura no melhor momento, racionalizar o uso de insumos e aumentar a rentabilidade. Três sacos por hectares de ganho parece que não é muito, mas teria um impacto enorme no Estado se todos fizessem o MIP", complementou.


