A telefonista Vera Lúcia Neves Dombek perdeu o seu emprego de quatro anos no mês passado, aos 45 anos. A princípio, um período que parecia ser uma grande dificuldade passou quase despercebido. O motivo: Vera Lúcia ficou apenas 20 dias sem emprego. ''No dia seguinte (da demissão) já levei meu currículo na Adefil (Associação dos Deficientes Físicos de Londrina) porque tive paralisia aos quatro anos e uma perna ficou mais curta do que a outra. Logo depois já me chamaram para uma entrevista'', lembra.
A rapidez do emprego pode ser fruto da sua qualificação. Ela tem curso superior em Gestão de Recursos Humanos, além de ter vários cursos de atendimento e informática básica no seu currículo. ''A gente tem que estudar, sempre corri atrás de cursos para acompanhar o mercado de trabalho, nunca me acomodei. Tenho vários amigos deficientes que não se qualificam e, por isso, não conseguem emprego'', salienta. Ela é casada, tem uma filha de 13 anos e com o seu dinheiro ajuda nas despesas da casa.
Embora a recepcionista Nadir Fernandes Corrêa nunca tenha passado longos períodos sem emprego, ela acredita que muitas empresas ainda têm uma certa resistência em contratar pessoas mais velhas. ''Tenho receio de chegar em uma empresa para pedir emprego porque a gente vê a reação das pessoas. Muitos ainda preferem contratar meninas mais novas'', avalia. Ela está no seu atual emprego há 11 meses, que conseguiu por indicação de um conhecido. ''Me falaram que não queriam mais meninas novas porque elas não paravam no emprego'', conta.
Ela trabalha desde os 14 anos e diz que não consegue se imaginar sem uma ocupação profissional. ''Acho que ficaria doente, em depressão, se não tivesse um trabalho. O dinheiro faz falta, mas é para mim e para as minhas filhas'', comenta. (F.M.)

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