Brasília - Ao lançar ontem o programa que vai estudar o genoma do eucalipto, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse que a capacidade científica brasileira ‘‘incomoda’’ outros países. ‘‘Há protestos, nós temos que brigar, vamos lá para a OMC (Organização Mundial de Comércio), governos reclamam, isso é bom’’, afirmou ele, em discurso no Palácio do Planalto.
‘‘Quando nós começamos a incomodar aí pelo mundo afora, quer dizer que nós estamos fazendo alguma coisa que devemos fazer.’’ Fernando Henrique destacou que o Brasil já dispõe de ‘‘razoável’’ nível de produção científica, em especial na área da genética. Mas ressalvou que não cabe ao País assumir posição de ‘‘arrogância prematura’’ nem de ‘‘subalternidade colonialista’’.
O Projeto Genolyptus lançado hoje reúne 12 empresas do setor de celulose, sete universidades e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O objetivo é melhorar a qualidade da madeira e evitar doenças provocadas por fungos e bactérias, aumentando a competitividade das empresas brasileiras de papel e celulose.
Fernando Henrique lembrou que produtores de vinho da Califórnia, nos Estados Unidos, buscam auxílio técnico em universidades brasileiras. ‘‘As vinícolas californianas, se quiserem ter melhor ajuda no assunto, devem dirigir-se mesmo é aqui ao Brasil’’, disse o presidente, mencionando reportagem sobre o tema publicada no ano passado pelo jornal ‘‘The Washington Post’’.
O ministro de Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, afirmou que
o Genolyptus tem enfoque e abrangência distintos em relação ao mapeamento genético do eucalipto desenvolvido em São Paulo pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapesp). ‘‘A nossa ótica é diferente, trabalhamos nacionalmente’’, disse o ministro. ‘‘Quando a gente trabalha com o Brasil como um todo, é mais complexo do que trabalhar com a região mais altamente desenvolvida do Brasil, que é São Paulo.’’
O coordenador do Genolyptus, Dario Grattapaglia, deu a entender que gostaria de somar esforços com os pesquisadores paulistas. ‘‘Nós tentamos sempre (a parceria) e continuamos de portas abertas’’, afirmou ele, que é pesquisador da Embrapa e professor da Universidade Católica de Brasília.
Fernando Henrique e Sardenberg enfatizaram a importância de 12 empresas somarem esforços para melhorar a produtividade, com apoio do setor público.
A produção de papel, celulose e demais derivados representam cerca de 4% do PIB brasileiro, gerando 150 mil empregos. Originário da Austrália, o eucalipto chegou ao País em 1825.

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