É preciso convencer o governo do Estado sobre a importância do Arco Norte. É mais ou menos isso o que dizem os candidatos a prefeito de Londrina. Reportagem publicada ontem pela FOLHA mostra que o governo não levou o projeto em consideração quando discutiu as obras de infraestrutura necessárias para melhorar a logística paranaense. Por causa disso, o Arco Norte ficou de fora do estudo Sul Competitivo, realizado pela Macrologística, por encomenda da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
''Acho que faltou união das nossas lideranças para sensibilizar o governador (Beto Richa) e o governo federal a respeito do Arco Norte'', diz Marcelo Belinati, candidato do PP que está coligado com o PSDB do governador. Ele afirma considerar o projeto ''importantíssimo'' para o desenvolvimento socioeconômico da região. ''Precisamos mobilizar todos os segmentos para viabilizar essa obra'', declara.
Para Barbosa Neto (PDT), o importante é garantir que o governo do Estado inclua o Arco Norte no Plano Aeroviário do Estado. ''Quando prefeito, conversei com o ministro da Aviação Civil, Vagner Bittencourt, e ele se mostrou interessado em implantar o Arco Norte, desde que estivesse no plano aeroviário'', conta. Barbosa ressalta que sua administração ''teve a coragem'' de declarar de utilidade pública a área da Zona Sul.
O candidato do PMDB, Luiz Eduardo Cheida, se diz surpreso com a ausência do Arco Norte no Sul Competitivo. ''Já tinha pedido ao secretário Pepe (José Richa Filho, secretário estadual da infraestrutura) para que o governo pagasse o estudo de viabilidade do Arco Norte. Ele disse que iria pagar'', lamenta. Cheida, que é deputado estadual, diz que irá incluir recursos no orçamento do Paraná para o Arco Norte.
O projeto do Arco Norte, que reúne oito municípios da região (Londrina, Assaí, Jataizinho, Ibiporã, Cambé, Rolândia, Arapongas e Apucarana), tem como âncora um aeroporto internacional de cargas a ser construído na Zona Sul de Londrina, próximo à Mata dos Godoy. Ele ainda não conta com estudo de viabilidade, cujo custo é de R$ 600 mil a R$ 1 milhão. A construção do empreendimento está prevista em R$ 5 bilhões.
A candidata do PT, Márcia Lopes, lembra da ausência do governador em reunião marcada com ele para discutir o Arco Norte na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), dia 17 de julho. ''É lamentável que o governo ainda não tenha acordado para as expectativas da nossa região'', afirma. Ex-ministra do ex-presidente Lula, ela garante que o governo federal reconhece a necessidade do projeto para a região. ''Mas precisamos ter mais segurança quanto ao aspecto ambiental'', diz a candidata.
Opinião parecida à da petista tem o candidato do PSD, Alexandre Kireeff. Para ele, o projeto é muito importante, mas precisa ser analisado sob os pontos de vista social, econômico e ambiental. Kireeff diz que cabe ao prefeito descobrir por que o Arco Norte não recebe a atenção devida do governo do Estado. ''Temos de ver por que a nossa região não está sendo vista de forma estratégica'', afirma.
A posição do candidato do PSol, Valmor Venturini, é a mais reticente quanto ao projeto. ''Ninguém o conhece direito. É preciso debatê-lo. A princípio, somos contra a instalação ali perto da Mata dos Godoy devido aos prejuízos ambientais'', declara. Para Venturini, também é necessário esclarecer se o projeto é de ''desenvolvimento ou de crescimento'', e se ''apenas meia dúzia de pessoas vão enriquecer'' com ele.
A reportagem da FOLHA tentou falar com o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, mas não teve retorno até o fechamento desta edição.

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