Curitiba Os candidados ao governo do Estado criticaram o acordo do ICMS feito pelo governo do Estado com as montadoras Renault e Volkswagen/Audi. O acordo foi firmado no ano passado, mas está sendo divulgado no ''apagar das luzes'' da atual administração. Para o candidato Roberto Requião, do PMDB, o governador Jaime Lermer (PFL) fez um governo ''desastroso'' e agora está querendo inviabilizar os próximos governos.
Requião lembrou que a dilação para recolhimento do ICMS pelas montadoras vai inviabilizar pelo menos os três próximos mandatos de governador do Paraná. ''Além disso, Lerner está pretendendo vender energia da Copel o que representa comprometimento da energia do Estado para um mandato e meio.''
''Não contente em elevar a dívida que era de R$ 1,4 bilhão para cerca de R$ 20 bilhões, de vender o Banestado e metade da Sanepar, ele quer inviabilizar os próximos governos'', criticou Requião.
O candidato Alvaro Dias, do PDT, classificou como falta de ética o ato do governador Jaime Lerner. ''Cada vez a herança para o próximo governo fica mais maldita'', afirmou. Alvaro acha que o acordo precisa ser revisto porque a Lei de Responsabilidade Fiscal impede que um governante abra mão de receita do Estado.
O candidato Rubens Bueno, do PPS, declarou-se estarrecido com as notícias sobre o ''escandaloso'' acordo em que o governo do Estado ampliou por 14 anos o prazo para que as montadoras de automóveis iniciem o recolhimento de ICMS. ''É um escândalo internacional, é caso de polícia'', disse ele. Bueno disse que a coordenadoria jurídica de seu partido estuda medidas judiciais para questionar o acordo.
Bueno disse ainda que a impressão que ele tem é que o governo Lerner transformou assuntos de Estado em negócios particulares. ''Tudo se misturou da forma mais promíscua. É como se os contratos estivessem guardados a sete chaves, protegidos numa fortaleza inexpugnável e distanciados do interesse público'', afirmou Rubens Bueno.
O candidato do PT, Padre Roque, disse que não ficou surpreso com a revelação tardia dos acertos feitos entre as montadoras e o governo Lerner. ''As contas desse governo são uma verdadeira caixa-preta, e a população não tem idéia do que é feito com o dinheiro público'', declarou. Padre Roque disse que está perplexo com a capacidade do governo se promover em cima de ''mentiras'' como o Votaparaná, ''enganando a população com a expectativa de ver esses impostos aplicados até 2005''.
O candidato do PSDB, Beto Richa, que tem o apoio do governo, não se pronunciou. Sua assessoria informou que ele estava em viagem à Brasília.

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