Cancro cítrico ameaça produção de laranjas
Guto Rocha
O cancro cítrico está colocando em risco a participação dos produtores paranaenses de laranja no mercado. O alerta foi feito ontem pelo coordenador Nacional da Campanha de Erradicação do Cancro Cítrico do Ministério da Agricultura, José Geraldo Baldine Ribeiro, que participou de uma reunião entre técnicos do ministério, Secretaria Estadual de Agricultura, Paraná Citros S/A e Corol.
O Paraná não está efetivamente alcançando o resultado esperado no controle do cancro cítrico, afirmou Ribeiro. O técnico do Ministério da Agricultura afirmou que na região de Paranavaí, onde se concentra a maior parte da produção de laranjas do Estado, 60% dos pomares estão contaminados pela doença. Existe toda uma legislação que regula o setor, mas não há uma aplicação rigorosa da lei na produção, comercialização e transporte de cítricos de modo geral, disse Ribeiro. Já na região de Londrina, na área de atuação da Corol, o controle é considerado eficaz pelo técnico. Os casos de doenças quarentenárias na região são raros, comentou.
O presidente da Comissão Executiva de Erradicação do Cancro Cítrico (Canec) no Paraná, Antônio Locatelli, disse à Folha que há cerca de 25 dias uma missão do Comitê Diretivo do Mercosul encontrou na Ceasa de Florianópolis (SC) um caminhão de Paranavaí carregado com laranja contaminada pelo cancro cítrico. Foi uma coincidência infeliz que expôs a fragilidade do sistema de fiscalização do Paraná, comentou.
O presidente da Canec afirmou que o Comitê do Mercosul, a partir da descoberta da carga contaminada, exigiram que o governo brasileiro apresentasse um relatório sobre o trabalho de defesa sanitário, estrutura de fiscalização e sobre as ações que estão sendo tomadas para controlar a doença. O relatório deve ser entregue ao comitê no dia 20.
Ribeiro afirmou que a reunião de ontem teve como objetivo traçar estratégias para garantir e ampliar a participação da laranja in natura e seus derivados no Mercosul. Entre as ações que devem ser tomadas é a criação de uma fundação que envolveria, governos, indústria, produtores e cooperativas. A instituição teria os mesmos moldes da Fundecitrus, entidade de São Paulo que executa a política de fomento e defesa sanitária da citricultura paulista.
O presidente da Canec disse que o Ministério da Agricultura irá repassar R$ 94 mil para a criação da fundação, além do repasse de recursos de R$ 11,6 milhões para o governo do Paraná modernizar o aparato de fiscalização e reativação de todas as barreiras do Estado.
Segundo o superintendente da Paraná Citros S/A, Marcos Eduardo Loli, os pomares na região de Paranavaí são monitorados, e foram implantados e conduzidos dentro do modelo tecnológico criado pelo Iapar, que prevê o controle da doença. O problema, segundo ele, foi que em 1996 o aparecimento da larva minadora, que ataca as folhas da planta, acabou favorecendo a ampliação do cancro cítrico. No entanto ele não concorda que a infestação da doença atinja os 60% como aponta o ministério. No ano passado os produtores tiveram bons resultados com a colheita, e investiram no combate à doença, afirmou, observando que 90% das 4,5 milhões de caixas que serão colhidas nesta safra já estão compradas pela indústria.





