Aos poucos, cidades atingidas pelas chuvas em Santa Catarina começam a retomar a rotina. Números mostram, no entanto, que a normalidade está longe de ser realmente alcançada. Cerca de 30% das pessoas com pacotes para a região desistiram de viajar, segundo estimativa da Associação Brasileira de Hotéis em Santa Catarina (ABIH-SC), e o faturamento de toda a cadeia que envolve hotéis, restaurantes, bares, lojas e serviços de táxi pode cair mais de 50% na alta temporada. Blumenau, por exemplo, teve de cancelar sua tradicional festa de luzes de fim de ano.
Algumas empresas de turismo em Londrina, têm registrado a troca de pacotes do litoral de Santa Catarina para as águas quentes do Nordeste. Cristiana Grassano, diretora da Albratroz Turismo, citas rotas como Salvador, Recife e Fortaleza. Nos últimos 15 dias, como afirma, pelo menos 12 pacotes foram vendidos para o nordeste para turistas que temem as condições do litoral catarinense.
Por conta da proximidade entre o Paraná e o litoral catarinense, Cristiana acredita que é difícil ter uma noção objetiva sobre os reais impactos da tragédia sobre o setor de turismo. Geralmente, os veranistas da região alugam casas e se deslocam de carro, por isso as agências acabam não sendo tão requisitadas.
Hélia Yamaue, proprietária da agência Takahashi Tur, não registrou nenhuma desistência dentre os pacotes que vendeu para dezembro e janeiro. As reservas que possui para a Costão do Santinho, em Florianópolis, até agora não foram canceladas. Mas os pacotes de férias para o Nordeste aumentaram, fato que ela credita ao noticiário que assustou os turistas.
Para os londrinenses que continuam com as praias catarieneses como opção de férias, há uma boa notícia. Romualdo França, Secretário de Infra-Estrutura de Santa Catarina, garante que até o Natal o tráfego em todas as rodovias estará normalizado. ''Estamos priorizando o litoral, para justamente não atrapalhar o fluxo de turistas'', destaca.
Segundo comunicado da Associação Brasileira Agências de Viagens, a estrutura turística do Estado está preparada para receber os turistas normalmente, mesmo depois dos transtornos.
Direitos
Segundo Flávio Caetano de Paula, coordenador do Procon, caso o consumidor que contratou o pacote queira desistir, a agência não é obrigada a reaver os valores e ele inclusive está sujeito à multa. ''Se fosse na semana do desastre, existe o aspecto de força maior. Mas agora não é mais responsabilidade da empresa'', analisa.
Ele acredita que o melhor maneira de solucionar uma desistência é entrar em contato com a agência de viagens e negociar. Nesse caso, a agência tem o direito de reter até 20% do total, referente às taxas administrativas. ''Acima disso é abuso'', conclui.

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