Uma área de segurança cercada, mais de seis mil policiais especialmente treinados, uma prisão completamente vazia: os serviços de segurança da Cúpula das Américas, prevenidos pelos acontecimentos de Seattle, não pouparam recursos para transformar Quebec numa fortaleza. O encontro começa nesta sexta-feira e vai até domingo, reunindo representantes de 34 países da América Latina, com exceção apenas de Cuba. ‘‘Existe uma ameaça real para a cúpula, grupos que planejam ações muito específicas e espetaculares’’, afirma o chefe da polícia de Quebec, Florent Gagné.
E para ‘‘preparar-se para pior’’, todas as medidas parecem justificadas para o encontro que acontece do dia 20 a 22 de abril. A cidade antiga, mais habituada a visitas de turistas que a tumultos, teve seu desenho modificado por uma cerca de três metros de altura e 3,8 km de largura.
Este perímetro fixado com uma base de cimento, que pode resistir até ao impacto de um carro em alta velocidade, foi determinado de acordo com os hotéis em que se encontram as delegações e seguindo os lugares que as negociações acontecerão.
Para ultrapassar este ‘‘muro’’ é necessário um credenciamento oficial ou uma permissão especial, tanto para os moradores como para os comerciantes, o que faz com que alguns comparem Quebec com a Berlim da Guerra Fria. Durante a Cúpula das Américas, a cidade será cenário de uma forte operação policial jamais vista no Canadá. As forças de ordem, respaldadas por helicópteros, estarão munidas de balas de borracha para dispersar manifestantes.
Até mesmo câmeras de vigilância foram instaladas nas ruas, as entradas subterrâneas foram lacradas e muros foram erguidos em torno de uma praça no perímetro de segurança.
Para evitar qualquer surpresa desagradável, os postos da fronteira estão em alerta. Os funcionários da aduana foram convocados a redobrar a vigilância e deter qualquer pessoas que possa se transformar num perigo público. Com o objetivo de mostrar que as medidas não são exageradas, os policiais lembram os atos violentos que aconteceram de Seattle a Praga. ‘‘As informações que temos nos obrigam a nos prepararmos de maneira muito séria’’, afirma Gagné.
Em um informe fechado em dezembro, os serviços canadenses de inteligência advertem que as medidas exageradas podem ter um efeito contrário e proporcionar material de propaganda contra o governo e as forças de segurança. De fato, os que se opõem à Cúpula das Américas vêem nas medidas um atentado contra a liberdade de expressão e circulação.
PrisõesAs autoridades canadenses prenderam seis jovems em posse de explosivos que supostamente planejavam causar tumultos durante o encontro. A Polícia apreendeu com esses jovens bombas de fumaça, fogos de artifício e material de treinamento militar. Segundo Mike Gaude, porta-voz da real polícia montada do Canadá, os jovens presos são estudantes e reservistas das Forças Armadas canadenses. ‘‘Há meses o grupo conspirava para chamar a atenção, durante a Cúpula de Quebec’’, disse Gaude. Ele afirmou que os ativistas queriam ‘‘usar a vitrina que o evento oferece para causar problemas a Quebec’’.

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