Canadá pune cientista que questionou embargo
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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2001
Paula Puliti Agência Estado 
A cientista Margareth Haydon, do Ministério da Saúde do Canadá, foi suspensa do trabalho por duas semanas, sem direito ao salário do período, por ter declarado ao jornal The Globe and Mail que o embargo canadense à carne bovina brasileira pode ter sido motivado muito mais por questões políticas do que por saúde. A primeira página da edição de hoje (21) do principal diário canadense, que traz a notícia, informa que Haydon foi suspensa por ter ignorado seu dever de lealdade com a instituição e foi notificada que suas declarações tiveram implicações sobre o relacionamento entre o Canadá e o Brasil. A cientista preferiu não comentar ao The Globe and Mail sobre a punição imposta ontem.
De acordo com o The Globe and Mail, Haydon e outro colega que pede para não ter seu nome revelado, já haviam sido advertidos na semana passada sobre o fato de que apenas o departamento de relações públicas no Ministério está autorizado a falar à imprensa. Ontem, Haydon foi chamada novamente ao escritório de sua superiora interina, Diane Kirkpatrick, onde recebeu a ordem de suspensão a partir de hoje. O jornal não menciona se o colega foi punido.
A repreensão que o Ministério de Saúde do Canadá (Health Canada) fez aos dois cientistas que questionaram o embargo à carne brasileira está repercutindo mal entre os canadenses. Isso porque, há cinco meses a Corte Federal do Canadá confirmou o direito dos cientistas canadenses da Health Canada de falar ao público. Mesmo assim, o Ministério impôs aos cientistas uma ordem de silêncio.


