GOMA - O general canadense Maurice Baril, que chefia o plano de intervenção de uma força internacional no leste do Zaire para prestar assistência humanitária às centenas refugiados hutus que estão na região, visitou ontem enclaves rebeldes e contou ter testemunhado um grupo de 40 mil pessoas vagando em torno da região de Goma. Baril visitou a cidade tomada pelos rebeldes tutsis que combatem os soldados zairenses para conversar o chefe rebelde Laurent Kabila, que compartilha com o governo de Ruanda a visão de que não é necessário intervir militarmente na região.
‘‘Discutimos a questão do envio da missão de intervenção militar e, tudo o que eu fizer, vou coordenar com ele’’, declarou Baril, sem dar detalhes do encontro.
Os jornalistas que tentaram seguir o comboio que levava Baril foram impedidos em Sake e tiveram de fugir quando os rebeldes começaram a disparar do alto das montanhas. Os tiros não feriram ninguém e aparentemente não estavam dirigidos a Baril.
O governo canandese, que ainda está disposto a atuar na crise, propôs lançar ajuda humanitária de pára-quedas na região, apesar da forte oposição do governo do Zaire. O governo afirma que a medida não é segura e que não quer nenhuma missão baseada em países vizinhos que ele acusa de ajudar os rebeldes na região. As agências humanitárias que atuam na região também afirmam que além de perigosa, a proposta tem um custo muito alto.
‘‘Como você vai lançar suprimentos quando não tem pistas do paradeiro das pessoas a quem você quer ajudar?’’ lembrou ainda um funcionário baseado em Nairóbi, no Quênia. As organizações que atuam na área não conseguem localizar centenas de milhares de refugiados que estavam em campos da ONU em torno de Bukavu e das margens sul do Lago Kivu. Os rebeldes banyamulenge estão guiando um grupo de cerca de 100 mil hutus em direção à Goma, de onde devem partir para Ruanda.

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