A agência de inspeção alimentar do Canadá informou ontem que os países do Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte) deverão decidir até sexta-feira se suspendem o bloqueio à importação de produtos de carne enlatada do Brasil.
A informação é de Claude Lavigne, vice-diretor da Divisão de Produção e Saúde Animal da Agência Canadense de Inspeção Alimentar (Acia).
‘‘Os técnicos canadenses da missão voltaram ontem do Brasil com a sensação de que puderam colher todas as informações que necessitavam para fazer uma recomendação ao veterinário-chefe do país’’, afirmou Lavigne.
‘‘Não posso dizer qual será a decisão, mas eles voltaram satisfeitos com o que viram. É possível que um desfecho para o problema saia até sexta-feira.’’ No começo do mês, o Canadá suspendeu as importações da carne enlatada brasileira sob alegação de que o Brasil não respondeu um questionário sobre o combate à doença da vaca louca enviado em 1998.
Os EUA e o México, sócios do Canadá no Nafta acompanharam a suspensão em nome da proteção de seus rebanhos e da saúde pública.
O Brasil diz que a decisão foi política. Seria uma retaliação canadense à disputa travada entre os dois países pelo mercado de aviação regional. O governo brasileiro também usou o episódio como um exemplo de ‘‘protecionismo disfarçado de proteção sanitária’’ -expressão usada pelo ministro da Agricultura brasileiro, Pratini de Moraes.
Boa impressão Ontem, Lavigne e outros diretores da agência canadense ouviram o relato de Brian Evans, um dos dois (e o principal) cientistas daquele país que participaram da missão técnica enviada ao Brasil (a missão foi composta por dois canadenses, dois mexicanos e dois norte-americanos).
Evans chegou ontem de manhã a Otawa e foi direto à agência de inspeção alimentar, onde conversou com os demais técnicos. Depois, foi para casa, descansar.
‘‘Eu o vi muito rapidamente’’, disse Lavigne. ‘‘Ele disse ter tido uma impressão muito boa do Brasil e das autoridades de seu país, que fizeram todos os esforços para ajudá-lo a buscar os dados que queríamos. Evans acha ter conseguido obter as informações necessárias para que uma decisão possa ser tomada.’’ Segundo Lavigne, os técnicos canadenses, norte-americanos e mexicanos irão analisar, separadamente, as informações que obtiveram nos três assuntos pesquisados no Brasil: o volume e datas das importações de gado e de outros produtos que poderiam transmitir a doença; a eficiência do programa brasileiro de vigilância e a capacidade laboratorial no Brasil, e a alimentação do gado brasileiro.

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