O governo do Canadá negou que a suspensão das importações de produtos de origem bovina do Brasil, anunciada na tarde de ontem, tenha qualquer relação com o contencioso entre os dois países na OMC. ‘‘A suspensão é temporária e não faz parte das retaliações. Se fizesse, o governo canadense deixaria bem claro e afirmaria quando fez o anúncio da suspensão’’, afirmou o conselheiro Comercial da Embaixada do Canadá em Brasília, David Weiner.
A alegação do governo canadense para a suspensão é de que o País não enviou ao Canadá informações sobre a situação sanitária do rebanho bovino em relação à doença da vaca louca, conforme solicitação de 1998. O Canadá diz, ainda, que o Brasil importou gado vivo da Europa até o ano passado.
Desde o fim de 2000, o Canadá estuda aplicar sanções de US$ 1,4 bilhão contra produtos brasileiros, seguindo a autorização concedida pela OMC como resultado do litígio Embraer/Bombardier. Entre os produtos de origem bovina, o Canadá importa do Brasil apenas carne enlatada e extrato de carne. - No ano passado, as vendas desses dois produtos ao Canadá deu uma contribuição irrisória à balança comercial: foram US$ 714 mil com o produto enlatado, e US$ 214 mil com o extrato.
Weiner destacou que a suspensão é temporária e que o governo canadense se propõe a colaborar com o governo brasileiro para superar essa situação o mais rápido possível. A medida foi tomada, reiterou, levando em conta apenas aspectos de saúde do Canadá. ‘‘Esperamos que a medida seja entendida dessa forma pelo Brasil, como sem qualquer relação com o contencioso’’, destacou.
O pedido de informações sobre a situação sanitária do rebanho bovino faz parte, segundo o governo canadense, da política EEB do Canadá. O país pediu informações da Argentina, do Uruguai, da Nova Zelândia, da Austrália, dos Estados Unidos e do Brasil, único que não repassou as informações. ‘‘Tão logo recebamos os dados, encerraremos a suspensão’’, disse Weiner.

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