Canadá não vê problema com animais nascidos no Brasil
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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2001
Lu Aiko Otta Agência Estado 
O veterinário-chefe da Agência Canadense de Inspeção Alimentar (CFIA), Brian Evans, admitiu ontem que seu país não vê problema com o gado nascido no Brasil, no que diz respeito ao controle do mal da vaca louca. A questão, segundo ele, são os cerca de 4.000 animais que o Brasil importou da Alemanha e da França após 1990. O Canadá quer garantias de que esses bovinos, adquiridos para reprodução, não tenham depois sido abatidos e exportados para o Canadá.
Não existe doença da vaca louca nos animais nativos do Brasil, reconheceu. Queremos chegar ao entendimento sobre medidas que possam assegurar que a carne desses animais importados não tenha sido depois exportada para o Canadá.
Evans e os especialistas dos EUA e do México que integram a missão técnica que vai analisar as medidas de controle da doença chegaram ontem ao Brasil. Amanhã pela manhã, terão uma reunião com técnicos do Ministério da Agricultura. O restante da programação será conhecido hoje. Os técnicos visitarão fazendas, um laboratório e fábricas de ração. Eles permanecerão no Brasil até domingo. Segundo Evans, os integrantes da missão deverão encontrar-se novamente na semana que vem, na América do Norte, para discutir os dados e elaborar o relatório. Ele não arriscou um prazo para a conclusão dos trabalhos.
Evans explicou que seu país decidiu suspender importações de carne brasileira depois que recebeu informações, do governo brasileiro, em janeiro, de que a importação de animais da Europa prosseguiu nos anos 90. Isso não era consistente com a informação recebida pelo Canadá de que o Brasil tinha suspendido as importações de animais da Europa em 1990, disse o veterinário-chefe.
Ele ressaltou que o governo canadense sabe que esses animais não foram importados para abate. Mas, quando acaba a vida reprodutiva, algum valor pode ser agregado com a utilização da carne, comentou. Por isso, o principal foco da visita é saber como os criadores brasileiros lidam com o gado europeu depois que ele deixa de ser utilizado na reprodução.
Questionado sobre a razão de o governo do Canadá ter imposto o embargo e só depois enviado a missão, Evans explicou que foi uma medida de precaução. Não queríamos chegar ao ponto de ter de explicar a todos que, apesar de termos a informação em janeiro, não tínhamos sido cautelosos o suficiente, disse. Apesar das consequências, que lamentamos, julgamos que a medida foi necessária. Ele lembrou que a suspensão das importações é de caráter temporário.
A questão não é comercial, é de segurança alimentar, afirmou, rebatendo, sem explicitar, a avaliação do governo brasileiro de que o embargo foi motivado pela disputa comercial entre a Embraer e a canadense Bombardier. Ele explicou que o Canadá já adotou medidas semelhantes, sempre baseado em dados técnicos. Por exemplo: suspendeu a importação de carne da Argentina e do Uruguai quando houve uma crise de febre aftosa e também ficou sem comprar carne da Bélgica durante alguns meses, devido a uma suspeita de contaminação por dioxina.
Evans ressaltou que, de toda essa rodada de entendimentos técnicos, sairá um acordo mais fundamentado entre Brasil, EUA, México e Canadá sobre como tratar esse tipo de problema. Ele disse que tem recebido uma cooperação positiva dos técnicos do Ministério da Agricultura. Na mesma linha, o embaixador do Canadá no Brasil, Jean-Pierre Juneau, lembrou que Brasil e Canadá têm uma longa amizade. E, como em toda amizade, há períodos de má vontade e mal-entendidos, disse. Mas estamos convencidos de que poderemos superar as dificuldades.


