Canadá divulga pesquisa sobre Colossinho
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sábado, 06 de março de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Uma pesquisa realizada anteontem pelo Instituto Canadá, no centro de Londrina, deu indicativos de que a população da cidade desconhece a polêmica em torno da suposta compra do terreno do antigo Colossinho (área central de Londrina) pela rede norte-americana de supermercados Wal-Mart. Quase 70% dos entrevistados afirmaram desconhecer o assunto. A pesquisa, realizada por iniciativa do próprio Instituto Canadá, foi feita com 605 pessoas com idades entre 16 e 60 anos, de todas as classes sociais e também teria apontado as preferências da população sobre o uso do terreno. Cerca de 75% dos entrevistados pensam que a prefeitura deveria escolher outro local para a construção de um teatro municipal, liberando, assim, a área do Colossinho para que a empresa americana possa construir seu supermercado. A margem de erro da pesquisa é de 4%.
A intenção da administração municipal de construir o teatro na área do Colossinho, oficializada em agosto de 2003 por meio de um decreto de utilidade pública, iniciou a polêmica que envolve autoridades políticas, a própria prefeitura, a Taveri Participações, proprietária do terreno, e a rede de supermercados. Apesar de transitar entre a população desde o meio do ano passado, a pesquisa indica que somente 67,4% têm conhecimento do caso.
Entre os entrevistados, 54% têm grau primário de instrução. E mesmo preferindo que o prefeito abra mão do decreto para que o supermercado possa ser construído, 32,2% dos entrevistados consideram muito importante a construção de um teatro na cidade, contra 31,6% que têm a mesma opinião sobre a vinda de um hipermercado.
A população também foi questionada sobre a possibilidade de a prefeitura usar indevidamente os recursos necessários para a desapropriação do terreno. Pouco mais de 67% dos entrevistados acham que esses recursos não estariam sendo bem aplicados, no caso da desapropriação. Seguindo essa tendência, 50,6% da população não acredita que a prefeitura tenha recursos para desapropriar o terreno.
A pesquisa, no entanto, usou como valor da área de 14 mil metros quadrados o montante de R$ 6 milhões constante na intenção de compra e venda firmada entre o Wal-Mart e a Taveri em 14 de abril de 2003 e quase 50% superior ao mais alto preço estimado para o local até então. O secretário de obras de Londrina, Aluysio de Freitas, avaliou o terreno em R$ 4,2 milhões e alguns imobiliaristas da cidade, como Raul Fulgêncio, fizeram uma estimativa de R$ 3 milhões em outubro do ano passado.
O diretor do Canadá Pesquisas, Marcelo Elias Hatti, explicou que o valor de R$ 6 milhões foi utilizado nas entrevistas porque teria sido este o preço supostamente pago pelo Wal-Mart à Taveri. ''Soubemos desse valor pela imprensa. Também sabemos, no entanto, que a prefeitura pode pagar menos do que isso pela área'', disse. Até este momento, nenhum documento comprovando a compra do terreno foi apresentado.
O presidente da Companhia de Desenvolvimendo de Londrina, Gabriel Ribeiro de Campos, foi procurado pela reportagem da Folha para comentar os resultados da pesquisa logo após sua divulgação, mas não foi encontrado.


