Canadá avalia retaliação brasileira
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quarta-feira, 24 de janeiro de 2001
Agência Estado De São Paulo 
Os ministérios de Relações Exteriores e de Comércio Internacional do Canadá, por meio da embaixada em Brasília, informaram ontem que não parece legal o Brasil lançar um programa formal de contra-retaliações sem consultar a Organização Mundial do Comércio (OMC).
O comentário foi feito em resposta à mobilização do governo brasileiro, anunciada anteontem, de boicotar produtos canadenses caso Ottawa decida sobretaxar artigos brasileiros, com autorização da OMC, em resposta a subsídios dados pelo governo brasileiro à produção de aviões pela Embraer (o que teria prejudicado diretamente o grupo canadense Bombardier).
O governo canadense não afirmou se pretende reclamar, na OMC, de possíveis contra-retaliações realizadas pelo Brasil. Mas, segundo o governo canadense, o país vai observar se as decisões do governo brasileiro, que estuda a substituição de fornecedores de produtos hoje importados do Canadá, estão em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio.
A nós parece que, se o Brasil decidir pela contra-retaliação, mesmo que seja legal, quem vai pagar o preço é a indústria, o produtor e o consumidor brasileiros, disse a porta-voz do governo em Brasília, Sílvia Bertoni Reis.
Para justificar essa afirmação, o governo canadense argumenta que, em comércio internacional, os países sempre compram o melhor produto pelo melhor preço. Assim, se há mudança de fornecedor apenas por questões de contra-retaliação, pode haver prejuízo para o País. Anteontem, o ministro Pratini de Moraes, da Agricultura, afirmou que já estão sendo estudados novos fornecedores de cloreto de potássio e também de enxofre a granel para o caso de o Canadá retaliar produtos brasileiros.


