Só quem vai sair ganhando (e muito) com o aquecimento é a cana, que poderá dobrar a sua área potencial de plantio até 2070 - de 6 milhões de hectares para 13 milhões de hectares. A expansão ocorreria principalmente no Sul, onde a cana poderia substituir a soja, por causa da redução na frequência de geadas. ''É um contra-senso. A produção de alimentos vai sofrer, mas a de combustíveis sairá ganhando'', afirma Assad.
Além do aumento de área, a cana pode ter um ganho de produtividade. Estudos conduzidos pelo biólogo Marcos Buckeridge, da Universidade de São Paulo (USP), mostram que o aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera tem um efeito fertilizante sobre a planta, que passa a fazer mais fotossíntese, incorporar mais biomassa e produzir mais açúcar. ''Mesmo em regiões de estresse hídrico, talvez a elevação do CO2 possa compensar essa deficiência'', diz Buckeridge.
''O aumento da área propícia à cultura, aliado às vantagens da planta no sequestro de carbono e do etanol (...), deve consolidar a cana como fonte de energia primária'', conclui o estudo. (H.E./A.E.)

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