Cana-de-açúcar deve crescer 10,7% na safra 2013/14
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segunda-feira, 29 de abril de 2013
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Depois da crise, um respiro e melhor expectativa para os produtores de cana-de-açúcar do País. Ontem, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) anunciou uma estimativa de crescimento de 10,7% na produção para a safra 2013/14 na região Centro-Sul. A expectativa é de uma moagem de 589,6 milhões de toneladas, contra 532,76 milhões de toneladas da safra 2012/13. Os dados foram compilados em conjunto com o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), sindicatos e associações do setor sucroenergético.
O incremento na moagem é justificado em parte pela expansão da área de cultivo, que chegou a 6,5% nesta safra. A renovação de canavial também foi bem maior do que nas últimas safras registradas, atingido 20,49% da área total. "Estamos numa situação complicada desde 2008, com crise e queda de produtividade. O interessante é sempre estarmos com uma renovação (da lavoura) de 15% a 20%, mas entre 2008 e 2010 chegamos a apenas 7%. Isto fez com que nossa produtividade despencasse", relatou o representante da Unica em Ribeirão Preto, Sérgio Prado.
A renovação adequada do canavial é responsável por um aumento na produtividade em 3,10% este ano. Outros fatores como as condições climáticas favoráveis e diferentes variáveis, entre elas, incidência de reflorestamento, probabilidade de geada e índice de infestação de doenças, somam mais 4,57% nestes números, totalizando 7,67% de incremento na produção. Na prática, o rendimento deve sair de 74,30 toneladas por hectare no ciclo passado para 80 toneladas por hectare nesta safra. "Nas três últimas safras o salto foi de 69 toneladas por hectare para 80. Porém, ainda consideramos que estamos aquém do possível, pois anteriormente já atingimos o número de 85 toneladas por hectare", salientou Prado.
Por outro lado, uma dificuldade ainda preocupa o setor. Apenas três novas usinas devem começar a trabalhar nesta safra, enquanto 12 unidades podem deixar de moer este ano devido a problemas financeiros. Caso este número seja confirmado, a perda de capacidade de moagem será superior a 18 milhões de toneladas. Segundo o representante da Unica, isto é preocupante pois o País está chegando no limite de capacidade instalada. Ou seja, sem novas unidades, fica inviável aumentar a produtividade da safra, já que não é possível moer a cana. "Este esgotamento preocupa o setor. Temos que encontrar uma solução. Por outro lado, com estas unidades que estão fechando perde-se renda na região e postos de trabalho, além de esfriar as vendas das indústrias de equipamentos", explicou.
Etanol x açúcar
De toda a moagem da cana, 46,2% deve ser destinada à fabricação de açúcar, número menor do que os 49,54% da safra anterior, atingindo a marca de 35,5 milhões de toneladas. Já o volume de etanol deve saltar de 21,3 bilhões de litros para 25,37 bilhões, alta significativa de 18,77%. Da litragem total, 55% refere-se ao álcool hidratado (aumento de 12,1%) e o restante para o etanol anidro, que irá acumular alta de 28,2% em comparação à safra anterior.
A maior produção de anidro é justificada pelo aumento da mistura dele na gasolina a partir de amanhã, quando a porcentagem passará de 20% para 25%. "O açúcar perdeu remuneração, houve queda no mercado mundial, o que atraiu novamente os produtores para o mercado do etanol", concluiu Prado.



