Campo vive novo tempo e prioriza renda
Há dois anos, a Secretaria da Agricultura do Paraná vem reorientando o seu trabalho com base no estudo de cadeias produtivas. A proposta é identificar todos os elos do processo de produção, desde os insumos necessários para o preparo da terra até chegar ao produto final que é colocado à disposição do consumidor no supermercado.
A intenção é verificar onde há falhas neste processo, corrigí-las para melhorar a cadeia como um todo e com isso agregar mais renda ao produto, melhorando a receita do produtor, explica Norberto Ortigara, diretor do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura (Deral), que participa do estudo das cadeias produtivas.
Segundo ele, esta mudança na linha de trabalho da pasta é apenas a consequência da mudança que está acontecendo em todo o País e no mercado internacional. Ele lembra que até bem pouco tempo o agricultor produzia sob a tutela do governo. Tinha preço garantido, crédito, proteção contra a concorrência externa e, além disso, vivia num mundo bem menos competitivo do que vive hoje, analisa.
Ele lembra que todo este panorama mudou e o produtor tem que se adaptar a esta nova realidade. Segundo ele, se antes o agricultor muitas vezes via os integrantes das demais etapas do processo (cerealista, a indústria e o varejista) como inimigos ou exploradores, hoje eles têm que ser aliados já que um depende do outro. É importante que o agricultor tenha em mente agora que está participando de um grande negócio que pode dar mais certo se todos os envolvidos estiverem integrados, afirma.
Além disso, segundo o diretor do Deral, com a abertura de mercado e a concorrência que veio com ela, o produtor rural tem que ter uma visão mais profissional, investindo para melhorar sua produtividade e a qualidade do seu produto e corrigindo falhas.
Políticas públicas - O estudo das cadeias segue uma metodologia de trabalho própria e tem a participação de pesquisadores e técnicos da Secretaria da Agricultura, da Emater e do Iapar. O trabalho tem consultoria da USP. O estudo da cadeia serve de base para o governo definir suas políticas públicas na área da agricultura.
A intenção é chegar a um diagnóstico completo de toda a cadeia e procurar atacar os pontos de estrangulamento. Se for detectado que o problema é a baixa produtividade na lavoura, vamos buscar mecanismos para estimular o produtor a corrigir o solo, fazer adubação correta para produzir mais, exemplifica Norberto Ortigara.
Ele acrescenta que se a falha for no processo de comercialização, a proposta é ouvir os atacadistas e varejistas e tentar aproximar as partes envolvidas para sanear os problemas.
No estudo da cadeia, são consideradas as potencialidades de cada região e as atividades que já estão sendo desenvolvidas. Tudo, no entanto, deve ser voltado para a demanda de mercado.
Ele explica que se numa determinada região os agricultores estão se dedicando ao cultivo de um determinado produto enquanto o mercado está demandando outro, o trabalho será orientado para a reconversão. No caso de o mercado estar demandando exatamente o produto cultivado, o caminho será buscar a melhoria de sua qualidade.





