Campo Mourão inicia controle biológico das pragas da soja
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sábado, 30 de dezembro de 2000
Sid Sauer De Campo Mourão 
Foi realizada ontem no final da tarde a primeira soltura, na atual safra, de vespas Trissolcus basalis, a vespinha da soja, nas lavouras de soja da microbacia do Rio do Campo, em Campo Mourão. A vespinha é um predador natural do percevejo da soja. Ao todo, foram liberadas 100 mil vespinhas em pontos estratégicos da área. A primeira propriedade beneficiada tem 8 alqueires e pertence ao agricultor Edinaldo Florczak.
O momento certo para a liberação das vespinhas depende dos resultados obtidos no monitoramento das lavouras. Esse trabalho é realizado duas vezes por semana por estudantes do Colégio Agrícola em cerca de 100 pontos dos 7.076 hectares da microbacia. Os estudantes verificam o grau de infestação de percevejo, lagarta e do tamanduá da soja. As informações coletadas são tabuladas e encaminhadas para as cooperativas, empresas de assistência técnica e firmas de revenda de defensivos agrícolas da cidade.
O Trissolcus basalis é uma vespa preta, com 1 a 1,3 milímetros de comprimento, que se desenvolve dentro dos ovos de percevejos. Ele se multiplica em 10 dias e cada fêmea é capaz de parasitar 250 ovos de percevejo. Em situação normal, a vespinha é encontrada no ambiente, mas em quantidade insuficiente para o controle dos percevejos. É por isso que torna-se necessária a liberação de grandes quantidades em determinados períodos da lavoura.
O objetivo do procedimento é antecipar o efeito do parasitóide sobre a população dos percevejos para manter a praga abaixo do nível de dano econômico durante o período considerado crítico de desenvolvimento da soja. O sistema é eficiente nas áreas onde o controle da lagarta da soja é feito por baculovírus anticarsia ou outros produtos biológicos ou fisiológicos, que não matam as vespinhas. No Rio do Campo, o baculovírus é usado há cerca de 15 anos.
Através do controle biológico de pragas, os produtores obtêm vantagens como a redução nos custos de produção da safra, fim do risco de contaminação do meio ambiente, da quebra do equilíbrio biológico e das intoxicações humanas provocadas por agrotóxicos. O controle biológico na microbacia também é assegurada a qualidade da água que a Sanepar distribui na cidade. Cerca de 80% da água consumida em Campo Mourão é captada no Rio do Campo.
As lavouras de soja ocupam cerca de 4.500 hectares da microbacia do Rio do Campo e até o final da safra deverão ser soltas cerca de 350 mil vespinhas.


