Campo Largo teme prejuízos com transferência de Tritec
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba O possível transferência da indústria de motores Tritec Motors Ltda instalada em Campo Largo, município da Região Metropolitana de Curitiba, para a China, pode provocar o fechamento de 5% a 10% dos 250 estabelecimentos comerciais da cidade. Com isso, até 10% dos 12 mil funcionários do comércio poderiam ser demitidos. A estimativa é do presidente da Associação Industrial e Comercial de Campo Largo (Acicla), Aristeu Rivabem.
Na sexta-feira passada, o jornal The New York Times publicou a informação de que a montadora chinesa Lifan em conjunto com o Partido Comunista teria interesse em comprar a empresa instalada no Paraná e transferi-la para a China. A Tritec é considerada uma das indústrias mais sofisticadas do setor automotivo.
''O impacto no comércio de Campo Largo seria muito negativo'', disse o presidente da Acicla. Segundo ele, os setores de maior destaque em Campo Largo são eletrodomésticos, confecções, calçados e móveis.
Rivabem afirmou que, apesar de os diretores da Tritec negarem a venda da fábrica para a montadora chinesa Lifan, há a possibilidade da empresa sair da cidade. ''Os funcionários da Tritec estão impacientes'', disse. Ele lembrou que até hoje ainda há reflexos do fechamento da montadora Chrysler que ocorreu em 2002.
O diretor geral da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Campo Largo, Paulo Sabin, adiantou que os diretores da Tritec estiveram na prefeitura na última sexta-feira e informaram que as notícias de fechamento da fábrica para transferência para a cidade de Chongqing na China são especulações. ''A saída da empresa geraria um problema social com cerca de 500 demissões'', disse.
Para instalar-se no município, a fábrica recebeu isenção de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e de Imposto sobre Propriedade Territorial e Urbana (IPTU) durante dez anos, a contar da inauguração em 1999.
A Tritec informou apenas que as informações publicadas no jornal The New York Times na última sexta-feira são inverídicas. De acordo com a companhia, as informações contidas na matéria são um posicionamento exclusivo, isolado e de total responsabilidade da montadora Lifan.
''Nos preocupa pensar que a Tritec siga o mesmo caminho da Chrysler'', disse o diretor de mobilização da Força Sindical e diretor da Federação dos Metalúrgicos do Paraná, Nelson Silva de Souza. Ele informou que deve ocorrer ainda nesta semana uma grande manifestação com os trabalhadores da montadora na porta de fábrica. O sindicalista disse que, caso a fábrica feche, o movimento sindical vai brigar para garantir os direitos dos trabalhadores além de um ganho a mais. Quando a Chrysler fechou, foram pagos três meses de salário adicionais. Além disso, muitos empregados foram aproveitados na TMT Motoco.


