Campo Largo pode mudar fabricação de louças
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segunda-feira, 03 de setembro de 2001
Vânia Casado<BR>De Curitiba 
A Cermassa, de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, está estimulando a desverticalização das indústrias de louças do pólo industrial do município. A empresa se associou ao grupo português Manuel A. Pinto para fornecer matéria-prima já beneficiada para as indústrias de louças fabricarem seus produtos. Com isso, as indústrias eliminam duas fases de fabricação em suas instalações, que são os laboratórios e o beneficiamento da matéria-prima bruta, explicou José Maria Arruda Botelho, um dos proprietários da Cermassa e presidente do Sindicato da Indústria de Louças, Porcelanas e Vidros do Estado do Paraná.
Os sócios da Cermassa investiram R$ 1 milhão na linha de beneficiamento e agora a empresa está procurando fechar contratos para fornecimento de massa pasta para as indústrias de louça e porcelana do Paraná e de outros estados. ''O próximo passo é a exportação dessa matéria-prima'', adiantou Botelho. Segundo o empresário, a Cerâmica Porto Ferreira, de São Paulo, é uma das interessadas em adquirir massa pasta pronta. O público principal são as 31 indústrias de louça de pequeno e médio porte instaladas em Campo Largo.
Botelho disse que viajou muito para o exterior e verificou que na Europa o procedimento das indústrias de louça é diferente do Brasil. Ao invés de cada indústria manter estruturas caras com laboratórios e instalações de beneficiamento de massa bruta dentro de cada indústria, elas optaram por comprar a matéria-prima que já vem com as especificações de acordo com o produto final que pretendem colocar no mercado.
As indústrias de Campo Largo estão faturando o equivalente a R$ 200 milhões por ano nas vendas de peças de porcelanas e cerâmicas no mercado externo e interno. Esse faturamento representa a recuperação das indústrias que investiram em processo de modernização para sobreviverem à crise que se instalou no setor, durante o Plano Collor. Na época, a abertura permitiu a entrada de louça chinesa sem o pagamento de nenhuma tarifa e as indústrias brasileiras foram seriamente abaladas com os prejuízos, disse Botelho.
Atualmente a situação se reverteu e as louças de Campo Largo estão sendo vendidas em vários países da Europa, nos Estados Unidos, Nova Zelândia e na América do Sul, além dos estados brasileiros.


