Campo é responsável por desemprego
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domingo, 08 de março de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaQueda acentuadaEm 96 cerca de 1,5 milhão de empregos foram extintos no campo; população de trabalhadores rurais caiu de 18 milhões para 16,5 milhõesA origem do desemprego no País está no meio rural e a sociedade urbana terá de conviver cada vez mais com o problema enquanto a área agrícola plantada permanecer estagnada, como vem ocorrendo desde 1990. A avaliação é do diretor do Departamento de Planejamento do Ministério da Agricultura, Antônio Lício. Além da vinculação que pode ser feita entre a área plantada e a mão-de-obra por ela exigida, Lício observa que a mecanização crescente no campo também contribui para eliminar os postos de trabalho, e se torna ainda mais grave sem a contrapartida da abertura de novas lavouras que possam absorver os trabalhadores.
Nos últimos anos, a área plantada de grãos no País tem ficado ao redor de 36 milhões de hectares, praticamente a mesma registrada no início dos anos 80. O problema é que a População Economicamente Ativa (PEA) saltou de 50 milhões para 75 milhões no período, disse Antônio Lício. A tecnologia tem permitido ganhos de produtividade, resultando em supersafras ao redor de 80 milhões de toneladas de grãos, mas não está ocorrendo expansão significativa da área plantada e, sim, a substituição de uma lavoura por outra.
Na atual safra, por exemplo, a previsão é de aumento de produção de algodão e soja em detrimento das culturas de arroz e milho. A reforma agrária, que poderia contribuir para ampliar o cultivo agrícola no País, não trouxe qualquer aumento da área plantada nos últimos anos, embora o atual governo tenha assentado milhares de famílias.
A crise rural deflagrada no final da década passada, segundo o pesquisador Antônio Lício, resultou num desemprego líquido de dois milhões de trabalhadores. Dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que cerca de 1,5 milhão de empregos no campo foram extintos em 1996, reduzindo a população de trabalhadores rurais de 18 milhões para 16,5 milhões.
Com a crise no campo, a tendência é de crescimento dos índices nacionais de desemprego. A solução, na avaliação de Antônio Lício, seria uma nova consciência da sociedade urbana em relação à agricultura. Hoje essa sociedade é contra a agricultura, pois a vê como um setor de latifundiários e exploradores, afirma. Isso faz com que o pessoal do campo continue vindo para as cidades.


