Campanhola fala sobre sua saída
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terça-feira, 25 de janeiro de 2005
Gustavo Porto<br> Agência Estado 
Ribeirão Preto O presidente da Embrapa, Clayton Campanhola, disse ontem que sua demissão, anunciada na quinta-feira pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, é ''uma grande injustiça''. ''Nós plantamos e quem vai colher são os outros que estão entrando'', justificou.
Campanhola, que será substituído pelo físico Silvio Crestana, atual chefe da divisão de instrumentação da Embrapa em São Carlos (SP), disse que seu sucessor herdará uma estrutura muito melhor do que a recebida por ele, em 2003. ''Nós fizemos investimentos e melhoramos a Embrapa, mesmo tendo de ir buscar recursos em outros ministérios, como o da Ciência e Tecnologia e o do Desenvolvimento Agrário'', explicou. ''Mas ele é um bom cientista e a Embrapa vai estar em boas mãos'', disse.
Campanhola afirmou que a decisão do ministro pela sua demissão foi tomada após a ''pressão de segmentos do agronegócio que achavam que eu não os privilegiava em detrimento da agricultura familiar''. De acordo com o ainda presidente da Embrapa, 85% do orçamento da pesquisa da instituição é destinado a setores do agronegócio e pelo menos três projetos beneficiados com recursos de outros ministérios são ligados à agricultura empresarial. Ele disse que Rodrigues não deu justificativas ao exonerá-lo, apenas o comunicou da decisão.
Campanhola disse que ainda não sabe se aceitará a presidência do Pólo Brasileiro de Biocombustíveis de Piracicaba, como foi anunciado por Rodrigues.


