Brasília - O Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP), vinculado ao Ministério da Justiça, aposta na conscientização dos consumidores para diminuir o comércio de artigos ilegais. O desenvolvimento de campanhas educativas faz parte da segunda etapa de atuação do conselho, criado em dezembro de 2004.
Segundo Lui Paulo Barreto, presidente do CNCP, as campanhas procurarão esclarecer a população que a compra de produtos piratas alimenta o crime organizado e traz prejuízo para a economia. ''As pessoas não têm consciência de que o barato sai caro para a sociedade'', avaliou.
O presidente do CNCP disse que os produtos falsificados são responsáveis pela eliminação de 2 milhões de empregos formais no país, além de representarem R$ 30 bilhões a menos de arrecadação para os cofres públicos a cada ano. ''Cada camelô que vende um artigo pirata tira de oito a dez postos de trabalho'', estimou.
Outra consequência da pirataria, salientou, é o estímulo ao crime organizado. ''O consumidor precisa ter noção de que essa atividade costuma estar ligada ao tráfico de armas e de drogas. A compra de um CD pirata, muitas vezes, financia a insegurança e a violência'', acrescentou.
Responsável por pelo menos 75% do consumo de pirataria, os jovens de 15 a 24 anos serão o principal foco das campanhas do CNCP. ''Por uma questão de status, de querer manter as aparências, os jovens são os grandes compradores de artigos piratas, independentemente da classe social'', explicou Barreto.
Além de agir sobre os consumidores, o órgão responsável pelo combate à pirataria negociará com as empresas a criação de incentivos para a compra de produtos legalizados por preços mais baixos. ''Estamos negociando com as indústrias para que elas criem linhas populares e baratas para atrair o maior número possível de compradores'', disse Barreto. ''Até por uma questão de sobrevivência, as empresas têm de aprender a trabalhar em grande escala para ganhar clientes fiéis.''
Para atrair o público jovem, o conselho sugeriu às empresas a criação de descontos especiais para estudantes na compra de produtos audiovisuais, publicações e vestuário. ''Por que um estudante que paga menos para ir ao cinema não pode adquirir um CD, um livro ou um tênis por um preço menor?'', questionou.

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