Campanhas são paliativos, diz consultor
São Paulo - Na opinião do presidente da consultoria Austin Rating, Erivelto Rodrigues, a imagem dos bancos está longe de mudar. Para ele, as campanhas publicitárias e os novos produtos são apenas paliativos que não resolvem o problema por completo. A questão, diz Rodrigues, é que o preço dos produtos bancários no Brasil é muito elevado. Hoje boa parte das receitas vem das operações de crédito por causa dos juros exorbitantes. ''Nos empréstimos, os consumidores chegam a pagar em um mês toda inflação de um ano inteiro.'' Além disso, as receitas de serviços ganham cada dia mais peso no ganho total dos bancos.
Em 1994, antes do Plano Real, essas receitas, que incluem as tarifas bancárias, representavam 4% do faturamento total. Hoje, esse número saltou para 20%. Isso representa 110% da folha de pagamento dos bancos. Ou seja, apenas com a receita de serviço, eles cobrem todas as despesas de pessoal e ainda sobra dinheiro.
Outra fonte de recursos vem do governo. Com a taxa Selic nas alturas, em 19,75% ao ano, as instituições acabam reforçando suas carteiras de investimentos com títulos públicos. Por outro lado, destinam menos dinheiro para financiar a economia do País. Com demanda menor, os consumidores têm de pagar mais para se financiar.
Tudo isso misturado acaba provocando a indignação da sociedade, que precisa de mais crédito. Junta-se a isso o fato de os serviços, muitas vezes, não agradarem aos clientes. Apesar das tarifas altas, a resolução de problemas nem sempre satisfaz a necessidade do consumidor, além de ser demorada. ''A percepção do mercado é de extorsão. Eles cobram juros altos e têm elevados lucros'', afirma o professor da FEA/USP, Alberto Borges Matias. (Agência Estado)





