Campanhas salariais devem 'esquentar'
Agência O Globo
De São Paulo e Rio
As campanhas salariais das grandes categorias com data-base neste segundo semestre prometem pegar fogo. A escalada da inflação e os aumentos de preços e de tarifas públicas estão levando a uma nova mudança de tendência do movimento sindical, que nos últimos anos lutou muito mais pela defesa do emprego do que por correção de salários. Agora, sindicatos de ponta como o dos bancários, dos metalúrgicos e dos químicos vão brigar pela recomposição salarial com base no que chamam de inflação que você não vê.
A CUT decidiu transformar as negociações salariais deste ano em uma grande campanha unificada. A central começa a planejar a campanha no próximo dia 3 de agosto, numa reunião com sindicatos de todas as categorias que têm data-base no segundo semestre. Só metalúrgicos, bancários, químicos e petroleiros somam um milhão de trabalhadores.
A idéia, segundo Antônio Carlos Spis, da executiva nacional da CUT, é apresentar propostas comuns nas negociações. Os dois principais eixos da campanha já estão praticamente definidos. Um deles, o da recomposição dos salários, vai dar muito o que falar. Os sindicalistas da CUT pretendem reivindicar reajustes salariais com base em índices próprios de inflação, destinados a medir a variação do custo de vida específico de cada uma das categorias. Os cálculos serão do Dieese.
A campanha unificada também vai pleitear uma redução de 10% na jornada semanal de trabalho, hoje de 36 a 44 horas, dependendo da categoria. Estudos recentes do Dieese mostram que isso poderia desencadear a criação de mais de dois milhões de empregos.
Paralelamente, cada categoria trabalha na elaboração de suas pautas de reivindições. No Rio, os sindicatos vão tentar incluir nas negociações mecanismos de reposição automática - os chamados gatilhos salariais. Os bancários, por exemplo, querem estabelecer um gatilho sempre que a inflação ultrapassar os 3%:
Já os petroleiros estão definindo, esta semana, as estratégias para o acordo coletivo. Uma das idéias é exigir a reposição da inflação passada durante todo o Plano Real. No ano passado, a categoria não teve reajuste salarial. Na prática, estamos tendo um congelamento de salários, diz Maurício Rubem, coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP). A FUP já apresentou à Petrobrás uma proposta de gatilho salarial para compensar as perdas com a inflação.





