Estudio RafA logomarca, que será usada também como adesivo para carrosO Plano de Desenvolvimento Industrial de Londrina (PDI) está saindo do papel e estampando camisetas, bonés, adesivos. Entra na Internet e deve sair em vídeo. Provavelmente, de 3 a 13 de abril, na 36ª Feira Agropecuária e Industrial, o londrinense vai ver essas primeiras criações de duas agências publicitárias da cidade que hoje trabalham com o propósito de ‘‘vender’’ Londrina para o País e o exterior - como manda o PDI.
Pela primeira vez na história do município, prefeitura, órgãos públicos, instituições e iniciativa privada têm um plano a seguir e assumem publicamente o compromisso de executá-lo, etapa por etapa, sincronizados. O PDI é o projeto de vida de Londrina, traçado em 1995 por uma das mais respeitadas consultorias internacionais: Andersen Consulting.
A iniciativa privada contratou o serviço e, pelo que contam, só não defendeu a abertura dos trabalhos em 96 porque o ano era político e o material poderia ser explorado indevidamente. Empossados há quase três meses, Antonio Belinati (prefeito) e Alex Canziani (vice) agora se comprometem a desenvolver com a comunidade a Londrina que a Andersen Consulting projetou.
Os especialistas foram chamados para mostrar o caminho que leva à industrialização e partiram do princípio: Londrina é uma cidade de porte médio (cerca de 500 mil habitantes) com atividades voltadas para a saúde e prestação de serviços, com indústrias em destaque, com Sercomtel (telecomunicações), Iapar (pesquisa agronômica), Embrapa (melhoramento da soja), universidade e outras instituições de peso.
Uma cidade que até a década de 70 era a rainha do café. Depois abraçou a rotação soja/trigo e só no final dos anos 80 começou a experimentar algumas ações próprias para o desenvolvimento econômico e industrial. Isso porque passou a contar com leis de incentivo e benefícios aos investidores, com o apoio da Codel (Companhia de Desenvolvimento, cujo presidente, hoje, é Alex Canziani) e do Programa Paraná-Europa, por exemplo.
O objetivo da Andersen Consulting era determinar as ações estratégicas que podem ‘‘viabilizar a promoção do desenvolvimento industrial de Londrina, seja pela potencialização da base industrial existente ou pela atração de novos investimentos e iniciativas empresariais.’’
Para chegar a esse ponto, de traçar o destino de Londrina, os especialistas analisaram a situação geral e levantaram as indústrias mais atrativas e adequadas para o município. Descobriram os pontos fortes de Londrina: custos salariais competitivos e baixos índices de conflitos sindicais, oferta adequada de energia e a custos competitivos, ‘‘excelente’’ serviço de telecomunicações, condições ‘‘invejáveis’’ de qualidade de vida.
E os pontos fracos: oferta escassa de solo industrial (a prefeitura está tentando resolver esse ponto negativo), mão-de-obra carente em educação, problemas nas malhas rodoviária e aeroportuária, esgotos industriais. Os especialistas da Andersen Consulting também sentiram na cidade a falta de um entendimento sobre esses fatores positivos e negativos, e a falta, ainda, de uma identificação do que fazer.
De análise em análise, ao longo de 95, a equipe descobriu que para a construção de um modelo de desenvolvimento industrial, a cidade tem que pensar em atratividade e adequação da oferta urbana. Aí é que entra a capacidade de intervenção do município - porque para atrair, Londrina precisa ter um mercado de trabalho em alta, infra-estrutura e serviços produtivos, comunicações em alta, fácil acesso à pesquisa. E para adequar a oferta urbana, vai dinheiro também.
Em ritmo de alta estariam os setores farmacoquímico, eletroeletrônico, alimentos e têxtil - autopeças, agora, porque a indústria automobilística veio para Curitiba e Região Metropolitana.
O fundamental, defende a Andersen Consulting, é a criação de uma Agência de Desenvolvimento em Londrina para ‘‘suportar’’ todo o processo e desencadear um plano de ação promocional. Já estão providenciando isso na cidade, reunindo representantes dos setores mais fortes da iniciativa privada, de instituições e órgãos públicos - os mais interessados e interessantes. ‘‘A Agência está para ser formalizada’’, garante Alex Canziani.
A principal função da Agência será colocar o PDI em contato com o investidor potencial, usando um marketing diferenciado, agressivo. E trabalhando com autonomia. ‘‘Uma Agência apolítica, para ser perene’’, recomendam os especialistas da Andersen Consulting.
O Plano tem uma premissa (volume de investimentos) que objetiva alcançar um crescimento de 2% a 4% ao ano acima do crescimento vegetativo e chegar, no 10º ano, a um incremento de 21% a 47% na renda per capita do município.

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