Campanha vai vender imagem de Londrina
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de março de 1997
Bete Fagundes 
Estudio RafA logomarca, que será usada também como adesivo para carrosO Plano de Desenvolvimento Industrial de Londrina (PDI) está saindo do papel e estampando camisetas, bonés, adesivos. Entra na Internet e deve sair em vídeo. Provavelmente, de 3 a 13 de abril, na 36ª Feira Agropecuária e Industrial, o londrinense vai ver essas primeiras criações de duas agências publicitárias da cidade que hoje trabalham com o propósito de vender Londrina para o País e o exterior - como manda o PDI.
Pela primeira vez na história do município, prefeitura, órgãos públicos, instituições e iniciativa privada têm um plano a seguir e assumem publicamente o compromisso de executá-lo, etapa por etapa, sincronizados. O PDI é o projeto de vida de Londrina, traçado em 1995 por uma das mais respeitadas consultorias internacionais: Andersen Consulting.
A iniciativa privada contratou o serviço e, pelo que contam, só não defendeu a abertura dos trabalhos em 96 porque o ano era político e o material poderia ser explorado indevidamente. Empossados há quase três meses, Antonio Belinati (prefeito) e Alex Canziani (vice) agora se comprometem a desenvolver com a comunidade a Londrina que a Andersen Consulting projetou.
Os especialistas foram chamados para mostrar o caminho que leva à industrialização e partiram do princípio: Londrina é uma cidade de porte médio (cerca de 500 mil habitantes) com atividades voltadas para a saúde e prestação de serviços, com indústrias em destaque, com Sercomtel (telecomunicações), Iapar (pesquisa agronômica), Embrapa (melhoramento da soja), universidade e outras instituições de peso.
Uma cidade que até a década de 70 era a rainha do café. Depois abraçou a rotação soja/trigo e só no final dos anos 80 começou a experimentar algumas ações próprias para o desenvolvimento econômico e industrial. Isso porque passou a contar com leis de incentivo e benefícios aos investidores, com o apoio da Codel (Companhia de Desenvolvimento, cujo presidente, hoje, é Alex Canziani) e do Programa Paraná-Europa, por exemplo.
O objetivo da Andersen Consulting era determinar as ações estratégicas que podem viabilizar a promoção do desenvolvimento industrial de Londrina, seja pela potencialização da base industrial existente ou pela atração de novos investimentos e iniciativas empresariais.
Para chegar a esse ponto, de traçar o destino de Londrina, os especialistas analisaram a situação geral e levantaram as indústrias mais atrativas e adequadas para o município. Descobriram os pontos fortes de Londrina: custos salariais competitivos e baixos índices de conflitos sindicais, oferta adequada de energia e a custos competitivos, excelente serviço de telecomunicações, condições invejáveis de qualidade de vida.
E os pontos fracos: oferta escassa de solo industrial (a prefeitura está tentando resolver esse ponto negativo), mão-de-obra carente em educação, problemas nas malhas rodoviária e aeroportuária, esgotos industriais. Os especialistas da Andersen Consulting também sentiram na cidade a falta de um entendimento sobre esses fatores positivos e negativos, e a falta, ainda, de uma identificação do que fazer.
De análise em análise, ao longo de 95, a equipe descobriu que para a construção de um modelo de desenvolvimento industrial, a cidade tem que pensar em atratividade e adequação da oferta urbana. Aí é que entra a capacidade de intervenção do município - porque para atrair, Londrina precisa ter um mercado de trabalho em alta, infra-estrutura e serviços produtivos, comunicações em alta, fácil acesso à pesquisa. E para adequar a oferta urbana, vai dinheiro também.
Em ritmo de alta estariam os setores farmacoquímico, eletroeletrônico, alimentos e têxtil - autopeças, agora, porque a indústria automobilística veio para Curitiba e Região Metropolitana.
O fundamental, defende a Andersen Consulting, é a criação de uma Agência de Desenvolvimento em Londrina para suportar todo o processo e desencadear um plano de ação promocional. Já estão providenciando isso na cidade, reunindo representantes dos setores mais fortes da iniciativa privada, de instituições e órgãos públicos - os mais interessados e interessantes. A Agência está para ser formalizada, garante Alex Canziani.
A principal função da Agência será colocar o PDI em contato com o investidor potencial, usando um marketing diferenciado, agressivo. E trabalhando com autonomia. Uma Agência apolítica, para ser perene, recomendam os especialistas da Andersen Consulting.
O Plano tem uma premissa (volume de investimentos) que objetiva alcançar um crescimento de 2% a 4% ao ano acima do crescimento vegetativo e chegar, no 10º ano, a um incremento de 21% a 47% na renda per capita do município.


