Campanha vai promover carne suína
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quinta-feira, 29 de agosto de 2002
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba Representantes da Câmara Setorial da Suinocultura, reinstalada ontem por sugestão da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, decidiram organizar uma campanha promocional para incentivar o consumo de carne suína. Com essa decisão, os representantes da cadeia produtiva esperam solucionar a crise que se abate sobre o setor onde produtores e indústrias afirmam que trabalham no vermelho.
Na reunião de ontem, realizada em Curitiba, ficou decidido que será criado um grupo de trabalho com representantes dos produtores, indústria e supermercados para decidir como será feita a campanha e quais as metas de consumo que pretendem atingir. Participaram da Câmara Setorial, representantes dos produtores, da indústria, da rede varejista, das instituições de classe de produtores, cooperativas e trabalhadores rurais e dos órgãos de governo.
Os produtores argumentam que desde o início do ano estão trabalhando com prejuízo. Eles vendem o suíno por R$ 1,00 o quilo de carcaça, enquanto o custo de produção é de R$ 1,30 o quilo. Representantes da indústria, que participaram da reunião, afirmaram que trabalham com déficit de 12% no processo produtivo, entre o abate, armazenagem e distribuição do produto. A indústria disse que revende os suínos em média por R$ 1,80 o quilo para os supermercados.
Os supermercados, por sua vez, argumentam que já trabalham com uma margem mínima na venda dos produtos, com média de 2% e não são os vilões da história. O representante dos supermercados esclareceu que os empresários do setor já adotaram a iniciativa de recorrer a promoções de carne suína para elevar o consumo. Atualmente existem ofertas entre R$ 2,30 a R$ 2,40 o quilo do pernil de suíno.
Ficou claro na reunião que o consumo de carne suína é fraca e remunera pouco os agentes da cadeia produtiva, disse o veterinário Guilherme Oscar Richter, do Deral/Seab. Para o técnico, a crise está mais acentuada sobre os produtores independentes, que contribuem com 30% da produção de carne. Os demais trabalham de forma integrada às grandes empresas, mas têm mais garantias.


