A campanha salarial unificada reforça as divergências entre as principais centrais sindicais brasileiras – a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical. ‘‘Não vamos fazer campanha conjunta com a Força Sindical’’, avisou o presidente da CUT, João Felício. Na outra ponta, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, reforça o atrito. ‘‘A nossa relação com a CUT está mesmo bastante deteriorada’’, admite.
Felício diz que está indignado com a Força Sindical desde o feriado de Finados de 99, quando ‘‘eles fizeram um acerto com os patrões para pagar reajuste de 8% para os metalúrgicos, sem nos consultar’’. Mas a gota d’água veio com o recente acerto em torno do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). ‘‘Foi um acordo feito nos bastidores com o governo’’, acusa o presidente da CUT. ‘‘A mesa de negociação era só para sair na foto’’, rebate Paulinho. ‘‘Faltou gente mais qualificada da CUT para negociar’’, provoca o presidente da Força Sindical.
Em relação ao acordo salarial dos metalúrgicos em Finados do ano passado, Paulinho diz que, na época, a Força Sindical desaprovou a excessiva influência que a CUT exerceu junto às categorias. Apesar das diferenças, o líder sindicalista está disposto a um a conciliação. ‘‘A unidade na luta é importante para o trabalhador e vamos buscar isso na negociação salarial do segundo semestre’’.
Ontem, o presidente da CUT admitiu que a campanha salarial do primeiro semestre está caminhando em ritmo lento. ‘‘A campanha por reajuste salarial de diversas categorias foi lançada no dia 28 de março, mas até agora nenhum proposta concreta surgiu ainda em nenhum Estado’’, revelou Felício. Ele atribuiu esta demora ao menor poder de fogo das categorias com data-base nos meses de maio e junho. ‘‘As categorias do primeiro semestre são mais frágeis, porque os sindicatos são pequenos’’. Para ele, a situação econômica do País permite que os trabalhadores embolsem ganhos reais.
‘‘Está havendo um aquecimento da economia. Não existe uma perspectiva de que o Brasil cresça menos do que no ano passado, então, ainda estamos avaliando que é possí vel ter reajuste (inflação mais ganho real)’’, sustenta João Felício. Mas ele avisa que os trabalhadores têm de saber negociar. ‘‘As categorias têm de ser ousadas. Têm de pressionar com atos públicos ou mesmo com greves’’.

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