A segunda etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa no Paraná foi aberta oficialmente ontem na Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio). A propriedade foi considerada foco da doença em dezembro e, depois de ter seu rebanho sacrificado (1.810 cabeças), só retomou as atividades normais em agosto. A vacinação em todo o Estado prossegue até o próximo dia 20 e a meta é vacinar todo o rebanho, formado por 9,9 milhões de cabeças.
Durante a primeira etapa da campanha - realizada em maio - foram vacinados espontaneamente 97,6% dos bovinos. Segundo o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Newton Pohl Ribas, a maior dificuldade é vacinar rebanhos de pequenas criações, animais localizados nas periferias das cidades, em assentamentos, reservas indígenas e de propriedades de litígio. ''A febre aftosa só irá acabar no Paraná e nos outros Estados com educação sanitária, por isso, é importante a realização de parcerias com as associações de produtores e com entidades de interesse na questão'', comentou.
Ele ainda lembrou que o vírus da aftosa não respeita cercas ou fronteiras. ''O problema da divisa é federal, mas o trabalho deve ser desenvolvido compartilhado com o ministério (da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa) nas fronteiras. É um trabalho de educação sanitária e se um rebanho não for vacinado, a consequência todos conhecem'', observou. Inclusive, o secretário afirmou que o Paraná ainda mantém 33 barreiras sanitárias na divisa com o Mato Grosso do Sul que só serão levantadas quando aquele Estado for liberado pelo Mapa.
Para desenvolver um trabalho integrado com os países do Cone Sul, o secretário sugeriu que a Sociedade Rural do Paraná realize um evento técnico durante a exposição agropecuária (marcada para abril) para discutir a sanidade animal com representantes de todos os países vizinhos. A sugestão foi acatada pelo presidente da entidade Alexandre Kireeff, que participou da solenidade.
Vacinação - O pecuarista André Carioba, proprietário da Fazenda Cachoeira, disse que a campanha foi lançada na propriedade devido a uma parceria firmada entre a Seab e a Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC). ''A associação foi criada devido aos fatos (focos de aftosa) no Paraná e os produtores irão exigir o necessário para trabalhar com segurança na produção de carne'', afirmou.
A Cachoeira é considerada modelo para todo o Estado em termos de produção agrícola e pecuária. A propriedade, de quase 1,5 mil hectares, trabalha com confinamento de bovinos em 200 hectares e apresenta boa eficiência na alimentação e na engorda dos animais. Atualmente, a fazenda tem cerca de 3 mil animais, que devem ser vacinados nos próximos dez dias. Essas cabeças também devem ser abatidas até janeiro. Já em fevereiro terá início um outro ciclo de confinamento com meta de engorda de 7 mil animais.
Durante o período em que a propriedade ficou interditada - cerca de dez meses - Carioba diz ter perdido a criação de cerca de 8 mil animais. ''Fizemos o início tardio do confinamento em agosto e pegamos um ciclo de preços altos'', afirmou. Apesar disso, ele diz que ainda não calculou os prejuízos. Na produção agrícola, a fazenda cultiva soja, milho e trigo em 2,3 mil hectares para produção de silagem e sementes.

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