‘‘O governo espera reduzir este ano 30% e em pelo menos 50% no próximo ano as perdas na colheita da soja e do milho e assim proporcionar aos produtores um incremento entre 25% e 40% na renda líquida do campo’’, disse ontem o ministro da Agricultura, Arlindo Porto, ao lançar a campanha de redução de perdas na colheita de milho e soja. Segundo Porto, a estimativa do governo é de que nesta safra o País deixe nos campos 6,7 milhões de toneladas de milho e soja, o que representa prejuízo de R$ 1 bilhão.
O presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Alberto Duque Portugal, disse que o governo vai centrar a campanha contra perdas na colheita de soja e milho por causa da importância destes grãos para o país. ‘‘Este dois grãos representam mais de 70% da produção agrícola do País’’, observou Portugal.
Mas ele lembra que as perdas acontecem em outras culturas também. No ano passado, diz, o país teve um prejuízo de R$ 1,6 bilhão com perdas de milho, arroz, soja, trigo e feijão e mais R$ 1,03 bilhão com perdas de frutas e verduras.
A campanha deverá atingir 241 mil produtores de milho e 84 mil produtores de soja no Paraná, além de mil operadores de colheitadeiras. Através de um convênio assinado entre o Ministério da Agricultura, Embrapa, Secretaria Estadual de Agricultura e Emater-PR, o governo federal irá repassar R$ 22,00 para cada mil toneladas de grãos colhidos. No total, serão aplicados R$ 375 mil no trabalho dos extensionistas da Emater juntos aos produtores e no treinamento dos operadores de colheitadeira.
Cultivares O ministro Arlindo Porto também lançou ontem em Londrina 17 novas cultivares de soja, desenvolvidas pelos melhoristas da Embrapa-Soja. Estas novas cultivares são resistentes ao cancro da haste. A doença foi detectada pela primeira vez na safra 88/89 e já provocou prejuízo superior a R$ 300 milhões ao País. Segundo o presidente da Embrapa, o desenvolvimento destas novas cultivares levou seis anos e custou entre R$ 12 milhões e R$ 15 milhões.
Porto fez ainda o pré-lançamento do primeiro híbrido duplo de milho, o BR-2121, desenvolvido pela Embrapa-Milho e sorgo, além de duas novas cultivares de milho (saracura, para várzeas úmidas, e milho pipoca) e uma cultivar de sorgo.
O ministro também apresentou o zoneamento agroclimático para a cultura de soja no Paraná. Ele observou que o zoneamento possibilita o aumento de produtividade das culturas, como por exemplo o trigo, que na safra passada cresceu 30% em produtividade.(G.R.)

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