Campanha quer mostrar resultados da reforma agrária
A reforma agrária precisa ser desnudada. Esta foi outra frente de ação discutida durante o debate promovido pela Folha. A intenção dos agropecuaristas é mostrar à sociedade a real situação dos assentamentos, como vivem os assentados, como o dinheiro público foi gasto e qual é a produtividade das lavouras. Segundo eles, o Incra perdeu o comando de todos os assentamentos para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
''O MST se queimou, hoje não tem mais o apoio da sociedade. A população não quer mais a reforma agrária que só traz conflito'', disse Brazílio de Araújo Neto, da diretoria da Sociedade Rural do Paraná. Para Tarcísio de Souza, da Faep, é preciso acordar o produtor de que o momento é pior do que ele imagina. ''Temos que decretar a falência do modelo atual de reforma agrária.'' Segundo ele, no Brasil existem 7.670 assentamentos e mais de 870 mil famílias assentadas a um gasto médio de R$ 65 mil por família.
''No Paraná são 15 mil famílias assentadas em 260 assentamentos com um custo médio de R$ 100 mil por família'', disse Souza. Ele acrescentou que nos últimos anos o Incra vistoriou 177 fazendas no Estado e todas foram consideradas produtivas. ''Mas mesmo assim 69 propriedades foram invadidas. É preciso mostrar que no Paraná não tem mais terra para reforma e que também não tem sentido discutir a reforma em um País que não tem recursos para isso'', salientou.
A idéia de entrar com medidas judiciais já vem sendo estudada pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Essa ação é considerada a mais eficaz, dentre os âmbitos técnico, político e jurídico, conforme declarou José Guilherme Cavagnari, da Faep. Outra solução seria disponibilizar terras para venda ao Incra, ao invés da desapropriação. ''Na avaliação o Incra joga o preço da propriedade para baixo, já a Receita Federal define um preço maior para cobrança de impostos inter vivos, falta parâmetro. A compra de terra para reforma agrária deveria ser feita através de leilão digital'', observou José Eduardo de Andrade Vieira, conselheiro da Folha.
Segundo ele, há oferta de propriedades para o Incra, mas parece não haver interesse na compra. ''É uma discussão ideológica e não se sabe para quê ela realmente existe'', afirmou Luiz Fernando Kalinowski, presidente do Sindicato Rural. (F.M./M.G.)





