A carne vermelha é a verdadeira vilã da dieta dos brasileiros? Uma campanha iniciada pela Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC) pretende desmistificar o produto e apresentar suas qualidades nutricionais. No estande montado na 49 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, no Parque Ney Braga, especialistas orientam os consumidores sobre os benefícios nutricionais do alimento e até a melhor forma de preparo de cada corte.
''A intenção é unir os dois principais elos da cadeia produtiva da carne: os consumidores e os pecuaristas'', salienta José Antônio Fontes, presidente da ANPBC. Além de informações aos consumidores o estande também apresenta informações técnicas de manejo e novas tecnologias de produção. Segundo a professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ana Maria Bridi, de Ciência da Carne, em geral, os consumidores têm dúvidas sobre o consumo de carne e, muitas vezes, informações errôneas.
É recomendado o consumo diário de cerca de 100 gramas de carne vermelha, mas pode ser alternado entre aves, suínos e peixes. ''A carne bovina não é vilã; o que faz mal à saúde é o consumo em excesso de gordura, sal e nitritos ou nitratos (carnes industrializadas mais consumidas nos Estados Unidos)'', afirma. Ela acrescenta que a carne com gordura marmorizada tem alta quantidade de ácidos graxos insaturados. ''O que faz mal é consumir em excesso a gordura que fica por cima da carne. O exagero é prejudicial'', observa.
Ana Maria acrescenta que o consumo do produto é fundamental para o desenvolvimento cognitivo das crianças. ''Se não fosse pela carne ainda estaríamos vivendo igual aos macacos'', diz. O produto apresenta entre 20% e 22% de proteína de alta qualidade biológica e com alta disponibilidade de ferro. ''Os vegetais - como feijão e espinafre, por exemplo - também têm alta disponibilidade de ferro, mas só absorvemos 30% da quantidade'', informa. Ela acrescenta que o preparo ideal é a forma cozida porque, geralmente, não são utilizadas outras fontes de gordura externa, ao contrário das frituras.
O médico cardiologista Miguel Barbero Marcial, que também é criador de bovinos, acrescenta que a carne deve obrigatoriamente fazer parte da dieta diária de crianças e adolescentes até os 21 anos de idade. Crianças devem ingerir até 40 gramas por dia, enquanto os adultos de 90 a 100 gramas diárias. ''A carne tem dez aminoácidos essenciais e é fundamental para a boa formação de órgãos como músculos, ossos e coração'', diz. Ele acrescenta, inclusive, que a dieta vegetariana deve ter acompanhamento médico constante porque o não consumo de carnes pode acarretar em anemias e até em risco de câncer. ''O segredo está no equilíbrio da dieta'', salienta.
Manejo
Através da tecnologia, os criadores podem ter benefícios na produção como a antecipação da idade de abate e a melhora do valor nutricional da carne. ''Quem quer produzir carne faz uma alimentação dos bovinos diferenciada, com a inclusão de óleos vegetais, que aumentam a quantidade de lipídios da carne; e minerais, que reduzem o estresse dos animais'', observa o zootecnista Marco Aurélio Barbosa, professor da UEL. Além disso, a injeção de vitamina E contribui para a redução da oxidação da carne que, posteriormente, vai aguentar mais tempo nas prateleiras dos supermercados.
''As pesquisas estão avançadas mas, no geral, os pecuaristas acessam pouco. Nosso boi criado a pasto é competitivo, a carne é boa, mas ainda tem muito a melhorar'', avalia Barbosa.

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