Campanha quer aumentar consumo de gás
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sexta-feira, 28 de outubro de 2005
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O consumo de gás caiu no Brasil nos últimos quatro anos. A mudança de comportamento dos brasileiros está intimamente ligada à queda de renda dos trabalhadores. Os sucessivos reajustes do produto têm levado muitas famílias à voltarem ao passado. Os tradicionais fogões a gás têm sido substituídos pelos antigos fogões de lenha. Para tentar mudar esta panorama, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) iniciou neste mês uma campanha para tentar alavancar o consumo do produto.
Segundo levantamento do Sindigás, entre 2000 e 2004 o consumo doméstico de GLP caiu de 31% para 27%. Já a participação da lenha no mercado cresceu de 32% para 38%. ''O consumo de lenha é um retrocesso, até porque a fumaça contém substâncias tóxicas que podem causar doenças pulmonares'', afirma Sergio Bandeira de Mello, presidente do Sindigás. Ele acrescenta que o GLP é um gás pouco poluente, que tem uma ''energia limpa e eficiente''. O Brasil consome, em média, 3,4 milhões de toneladas de gás por ano.
Mas a boa notícia é que nos últimos quatro anos, a produção de GLP vem crescendo 6% ao ano, enquanto as importações caíram 23%. Há cinco anos, o País importava metade do GLP consumido no País. Mas a realidade está mudando: a partir do próximo ano, o Brasil passará a ser auto-suficiente em produção do gás. Por isso, uma das metas da campanha é que o consumo acompanhe o crescimento vegetativo nacional, que varia entre 3% e 4% ao ano. Para isso, a luta também é pela redução da carga tributária que incide sobre o GLP.
Segundo Bandeira de Mello, os impostos respondem por 25% do preço final do produto. ''É uma carga inaceitável pela relevância social do gás'', afirma. Para isso, o Sindigás está trabalhando pela isenção do PIS/Cofins e pela redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado pelos Estados, que varia de 12% a 18%. Bandeira de Mello diz que a isenção da PIS/Cofins é simpática ao governo federal e já reduziria em cerca de R$ 2,20 o preço final do botijão de 13 quilos.
Caso a alíquota do ICMS fosse baixada para 4% ou 5% sobre o preço do botijão, geraria mais uma redução de cerca de R$ 5. ''Será uma economia relevante aos consumidores. Por isso, já estamos desenvolvendo um trabalho junto a deputados e senadores'', comenta o presidente do Sindigás. A campanha começou a ser veiculada nas mídias do Paraná, Brasília e Ceará. ''Queremos mudar a imagem do GLP junto à população, que tem uma imagem de energia antiga, ultrapassada. Mas o GLP é um produto moderno, seguro, armazenável e de fácil transporte'', observa.


