Campanha quer a moralização do cheque
Campanha quer a moralização do cheque
Carmem Murara
Descontentes com o crescente número de cheques sem fundos no comério, os lojistas de
Curitiba querem que os bancos alterem as regras para conceder talão de cheque para os clientes. Segundo a Associação Comercial do Paraná (ACP), qualquer pessoa, que abre uma conta bancária, tem acesso ao talonário de cheques e muitas vezes utiliza essa vantagem para dar o calote no comércio. Para tentar reverter a situação, a ACP lançou ontem a campanha de moralização do cheque. A proposta é incentivar até a regularização do uso do cheque pré-datado.
A campanha vai pressionar dois setores: a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) e a Câmara dos Deputados. O presidente da ACP, Ardisson Akel, disse que a intenção é encaminhar um documento aos deputados federais, pedindo que eles façam um projeto de lei que altere algumas regras das contas bancárias. A mesma proposta de mudança nos mecanismos de abertura de contas vai ser encaminhada à Febraban.
Os bancos precisam mudar as regras de sustação de cheques. Há bancos criteriosos, mas há agências bancárias que agem de forma muito elástica, reclama o presidente da ACP. Akel diz que o comércio enfrenta problemas no momento em que tenta ir atrás do conumidor que passou o cheque sem fundo. Ele disse que o comerciante, quando quer cobrar a dívida não consegue mais localizar o emitente, pois ele já mudou de endereço ou não tem condições de pagar o valor devido.
Em relação ao número de cheques, que circularam pelo País no ano passado, o volume de sem fundos é pequeno, representando 0,6%. A diferença só é sentida quando a comparação se dá em valores. Em 97, foram emitidos 2,9 bilhões de cheques que somados dão R$ 1,8 trilhão. Deste total, 56,5 milhões eram sem fundos e totalizaram R$ 26,4 bilhões.
O número parece que não é grande, mas causou aborrecimento em 56,5 milhões de comerciantes, que ficaram com o prejuízo, comparou Ardisson Akel. No Estado, os números são equivalentes aos nacionais. O Serasa (entidade que administra o serviço bancário) registrou a emissão de 190,5 milhões de cheques, num valor de R$ 88,5 milhões. Deste total, foram devolvidos 3,2 milhões de cheques. Eles somam R$ 2 bilhões.





