Curitiba - Depois do lançamento nacional, realizado dia 15 de março em São Paulo, o Paraná foi o primeiro estado a fazer o lançamento estadual da ''Campanha Unificada pela Redução da Jornada de Trabalho sem Redução de Salário'', que conta com apoio das seis centrais sindicais em atividade no País. A intenção é realizar lançamentos estaduais em todo País até o final de abril, de modo a transformar a campanha em mote principal das comemorações do Dia do Trabalhador, em 1º de maio.
O objetivo principal da campanha é incentivar a geração de empregos e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, que terão mais tempo para se dedicar às suas famílias. Para isso, o movimento defende a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais, conforme prevê a Constituição de 1988, para 40 horas semanais, e o fim das horas-extras.
Estudos do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicos (Dieese), realizados a partir de dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2003, apontam que o movimento pode gerar até 2,8 milhões de novos postos de trabalho em todo País. Só com a redução do tempo de trabalho entre os 1,8 milhão de trabalhadores que atuam mais de 40 horas por semana, seriam criados 1,8 milhão de empregos, que executariam as 73 milhões horas que deixariam de ser cumpridas por aqueles que tiveram sua jornada reduzida. O fim das horas-extras, por sua vez, geraria mais 1 milhão de empregos.
Um dos principais instrumentos desta luta, de acordo com Gilson Reis, membro da Executiva Nacional da CUT, é um abaixo-assinado nacional com o mote ''Reduzir a Jornada é Gerar Empregos''. O documento exige a tramitação, em caráter emergencial, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 393/01, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS) e do deputado federal Inácio Arruda (PCdoB-CE). O projeto, que prevê a redução de jornada sem alterar o valor dos salários, tramita no Congresso Nacional desde 2001.
''Já temos a adesão de todo o movimento sindical do País, além de políticos de várias correntes de opinião'', diz Reis, que acredita que o movimento sindical conseguirá o apoio de deputados federais e senadores para a aprovação da PEC. ''A campanha mexe com a maior preocupação do Barsil que é o emprego'', diz, lembrando que o processo eleitoral deste ano pode ajudar a pressionar os parlamentares a votarem a favor do projeto.

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