Campanha incentiva coleta de todas as embalagens de veneno
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de dezembro de 2000
Sandra Sato Agência Estado 
Agricultores, revendedores e técnicos agrícolas são alvo de uma campanha do governo, lançada ontem, ensinando o que fazer com embalagens de agrotóxicos. Em breve, em uma peça nas emissoras de TV aparecerá o cantor Sérgio Reis com sua viola cantando usei, chacoalhei, guardei... e explicando que é importante para a saúde e o meio ambiente dar destinação adequada às embalagens dos agrotóxicos.
Desde junho, quando se aprovou uma lei sobre o assunto, o recolhimento dessas embalagens passou a ser obrigatório. Atualmente apenas 20% das embalagens são recicladas. A meta é aumentar esse percentual para 40% já no primeiro ano após a vigência da campanha. São todas as embalagens que devem ser recolhidas.
A lei definiu responsabilidade para cada agente da cadeia produtiva: o agricultur deverá preparar a embalagem para devolvê-la; o revendedor criar unidades de recebimento e orientar seus clientes para os novos procedimentos; aos fabricantes cabaerá a reciclagem ou destruição do material. Enquanto não houver uma unidade de recebimento em uma região, o agricultor deverá manter a embalagem em um lugar seco e seguro, em sua propriedade.
O produtor também fica encarregado do preparo de cada tipo de material. É ele quem fará a tríplice lavagem da embalagem que permitir este tipo de tratamento, normalmente de plástico duro, metálica ou de vidro, usada para agrotóxicos líquidos. Quando se tratar de embalagem contaminada, o agricultor não deve fazer a lavagem, mas armazená-la tampada. A embalagem flexível precisará ser depositada em um saco plástico transparente depois de totalmente esvaziada.
A safra 2000/2001 deve gerar 115 milhões de embalagens vazias, segundo estimativas do ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho. Hoje metade de todas as embalagens vazias de agrotóxicos é doada, vendida ou reaproveitada sem qualquer controle, revelou o ministro. Outros 15% são deixados no campo ainda com pequena quantidade de agrotóxicos. O restante é queimado, enterrado ou jogado em aterro sanitário, ao alcance de crianças e pessoas que vivem da coleta no lixo. -
Folhetos A campanha prevê a distribuição de cartazes, folhetos informativos e manual de orientação. Esse material educativo será entregue a técnicos agrícolas para que multipliquem os conhecimentos, orientando produtores. Revendedores e agricultores também terão acesso a esses informativos. Um convênio firmado hoje entre o Ministério do Meio Ambiente e o Fórum Nacinal de Secretários de Agricultura determina o repasse de R$ 2,7 milhões para a campanha, sendo que R$ 1 milhão deverá ser imediatamente liberado.


