Campanha esclarecerá sobre diet e light
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de outubro de 2004
Adriana Mattos<br>Folhapress 
São Paulo - A indústria de alimentos dietéticos se uniu na tentativa de iniciar uma campanha de esclarecimento ao consumidor a respeito de produtos light e diet. A mobilização acontece após anos de expansão nas vendas - num mercado que nunca veio a público esclarecer as diferenças entre as categorias. Agora, as empresas dizem ter descoberto que o comprador está ''frustrado'' com as mercadorias à venda. Por isso, começaram a agir.
A ação foi tomada com base numa pesquisa apresentada esta semana, que mostra que 19% das pessoas não sabem se há diferença entre itens diet e light ou simplesmente acreditam que é a mesma coisa. Outros 24% afirmam que não são mercadorias semelhantes, mas não sabem o que as difere. O levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos Dietéticos e para Fins Especiais (Abiad) ouviu 720 pessoas em São Paulo.
O mercado de alimentos dietético invadiu as lojas nos anos 90. Sua associação, a Abiad, existe desde 1986. Nos anos recentes, a indústria ganhou dinheiro e cresceu além do setor de produtos tradicionais, mas o consumidor foi alvo, basicamente, só de campanhas publicitárias sobre os novos itens. Assim, tinha gente que comprava produtos como chocolate diet achando que engordaria menos, quando na verdade o produto tem mais calorias que o chocolate normal, com gordura no lugar do açúcar.
''Não tínhamos como perceber os erros de avaliação do consumidor. Agora o equívoco salta aos olhos'', diz a advogada Patricia Fukuma, do Instituto Brasileiro de Educação para o Consumo de Alimentos e Congêneres (IBCA). A explicação vem acompanhada de uma 'mea culpa'. ''É claro que poderíamos ter nos mobilizado, com uma alteração nas embalagens, por exemplo, para facilitar o entendimento. Mas decidimos debater a questão de forma conjunta agora'', afirma Carlos Eduardo Gouvêa, presidente da Abiad.
A campanha de esclarecimento começará em 2005, mas não há data. O projeto ainda está sendo desenhado. Haverá reunião com associações de supermercadistas e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que em 1998 publicou uma legislação que conceituava os itens light e diet para facilitar a diferenciação.
A Abiad ainda vai encabeçar um movimento que solicitará ao governo uma redução na carga tributária das mercadorias. Querem elevar o volume vendido. Questionada sobre a possibilidade de a indústria reduzir as margens de lucro, para elevar as vendas, a Abiad negou que as margens sejam elevadas. ''Isso é uma ilusão. É certo que são itens com maior percepção de valor, mas as margens não são tão altas'', diz Gouvêa.


