Campanha eleitoral preocupa investidores
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de junho de 1998
Agência Estado 
O avanço de Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas eleitorais preocupa os investidores externos menos pelo que significa em termos de suas chances efetivas de chegar ao Palácio do Planalto do que pela resposta que o presidente Fernando Henrique Cardoso dará a elas, durante a campanha eleitoral, no momento em que sua administração se mostra incapaz de controlar as contas públicas.
No momento, mais destrutivo do que o que Lula possa ameaçar ou prometer fazer no futuro é o que Fernando Henrique e seu governo efetivamente fizerem ao longo dos próximos meses, porque o foco das atenções dos investidores está clara e absolutamente na questão fiscal, disse Francisco Gros, duas vezes presidente do Banco Central e atual diretor em Nova York do Banco de Investimentos Morgan Stanley Dean Witter para a América Latina.
A visão do Morgan Stanley, apresentada numa análise de sete páginas distribuída a clientes na semana passada, é a de que a queda de Fernando Henrique nas pesquisas está associada mais à resposta lenta da administração aos problemas que emergem do que com uma forte alternativa da oposição de esquerda de Lula.
O que o mercado gostaria de ouvir de Lula? As respostas a essa pergunta variam na forma, mas não no conteúdo. Nada, disse Bertrand Saliba, diretor-adjunto para Mercados Emergentes do Deutsche Bank Securities. Ninguém que eu conheço leva a sério a possibilidade de Lula ganhar, afirmou ele. A visão dominante é a de que ele já atingiu seu máximo nas pesquisas, ou seja, algo em torno de 30%, e não conseguirá passar disso porque tem uma taxa de rejeição muito alta e ainda não enfrentou a ofensiva eleitoral de Fernando Henrique, que não começou a fazer campanha.
Denis Parisien, analista do Banco de Investimentos Dresdner Kleinwort Benson, estava no almoço no Hotel Sheraton New York, durante o qual Fernando Henrique procurou tranquilizar os investidores sobre o rumo da política econômica. Para o analista, a eventual eleição de Lula seria catastrófica para o Brasil. Mas Parisein não está particularmente preocupado com a perspectiva da vitória de Lula e sua análise parte de uma premissa semelhante à de Gros.
Outro analista traduziu essa preocupação com uma previsão agourenta, que poderia, segundo ele, materializar-se antes das eleições. O Brasil, disse ele, enfrentará um longo inverno se o avanço de Lula nas pesquisas levar o governo a abrir os cofres para garantir a reeleição de Fernando Henrique, agravando ainda mais um déficit público que, segundo alguns analistas, chegará a 7,5% ou 8% do PIB às vésperas do pleito.


