Curitiba - Trabalhadores participaram ontem do lançamento da campanha nacional pela redução de jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, sem alteração de salários. Eles fizeram ato público no centro de Curitiba, organizado pela Central Única dos Trabalhadores do Paraná (CUT-PR) e mais cinco entidades trabalhistas - sob a orientação da CUT Nacional. Cerca de 200 trabalhadores seguiram da Praça Santos Andrade até a Boca Maldita, local que até o dia primeiro de maio serão coletadas assinaturas de pedido de aprovação da Emenda Constitucional 393/01, que garante a retração de horas. O objetivo é computar 1,5 milhão de assinaturas em todo o Brasil. Este foi o número estipulado pelo presidente Lula para que então fosse encaminhado o pedido ao Congresso Nacional.
Dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontam que a redução pode gerar cerca de 2,2 milhões de novos empregos no País, e no Paraná, cerca de 150 mil postos. O presidente da Força Sindical no Estado, Sérgio Butka, diz que ''o ritmo atual de trabalho e as horas extras sem fiscalização e inconsequentes, têm gerado trabalhadores doentes e com baixa produtividade, além de altos índices de acidentes devido ao cansaço físico e mental''. Para ele, a medida diminui a taxa de desemprego, aumenta a segurança e impacta apenas 1,99% dos custos de uma empresa, que pode recuperar-se em curtíssimo prazo com o aumento da produtividade. ''Trabalhador ganha qualidade de vida quando há tempo para investir em educação, lazer e família. Quem tem isso, produz mais e melhor''.
Hoje, representantes das centrais sindicais pedem ao governador Roberto Requião apoio à causa durante participação na Escola de Governo e coletam assinaturas para o abaixo-assinado de secretários de estado. Amanhã, a arrecadação continua durante um ''arrastão'' na Assembléia Legislativa, além de empresas, fábricas e locais de grande circulação. A previsão é que o Paraná contribua com 500 mil assinaturas.
A última vez que governo e sociedade discutiram a redução de jornada, foi em
1988, na formulação da Constituição Federal. Na época, passou-se a semana de trabalho de 48 para as atuais 44 horas. A jornada brasileira é maior que a de países desenvolvidos e de alguns latino-americanos, como o Canadá com 31 horas e a Argentina com 39 horas, respectivamente.''Temos grandes índices de produtividade a custo da saúde humana. Temos a cultura da hora extra exagerada. O empregador não sofrerá impacto na folha, pois o que ela gasta com um trabalhador estressado, vai investir em um novo funcionário, ganhando um efetivo de qualidade superior'', conclue Butka.

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