Os postos de combustíveis do Paraná iniciam hoje uma campanha para tentar convencer a população de que não são os responsáveis pelo aumento no preço da gasolina, álcool e diesel. Eles querem mostrar que os grandes vilões são os governos federal e estadual que impõem alíquotas pesadas de impostos e ainda reajustam o preço dos produtos muito acima da inflação, no caso do Ministério das Minas e Energia. Um relatório divulgado ontem pelo Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindicombustíveis) mostra que 64,43% do preço de um litro de gasolina ‘A’ (antes de ser misturada ao álcool) é formado apenas por tributos federais e estaduais, entre eles o ICMS, PIS e Cofins.
O reajuste do combustível faz poeira para qualquer índice de inflação. Nos últimos 12 meses o aumento na gasolina ‘A’ foi de 186,3%, contra uma inflação de 15,39%, pelos dados do IGPM, o maior índice no período. Se a comparação for feita desde novembro de 1997, quando houve a liberação dos preços do combustível, a gasolina ‘A’ ficou 317,7% mais cara. O governo federal justifica o aumento como repasse do preço internacional do barril de petróleo e, mais recente, pela escassez da oferta de álcool no mercado nacional.
Para mostrar como é formado o preço do combustível, os postos vão fixar banners e faixas nos postos com os percentuais e valores que a gasolina tem em cada etapa de sua comercialização, desde a refinaria até a bomba de abastecimento. Eles calcularam os números após uma pesquisa feita em 96 postos de combustíveis. O material da campanha começou a ser distribuído ontem para os empresários de Curitiba e hoje, a campanha será lançada em Londrina e região.
As inscrições nas faixas mostram que a gasolina ‘C’ (usada para abastecer os carros) é formada pelos seguintes valores: custo da distribuição de R$ 1,276, margem de distribuição de R$ 0,050 e preço de venda da distribuidora para o revendedor de R$ 1,3266 e preço do varejo para o consumidor final varia de R$ 1,379 até R$ 1,599, em Curitiba.
Com uma frota de 2,4 milhçoes de carros, o Estado consome 1,57 bilhões de litros de gasolina e 460,93 milhões de litros de álcool ao anos. No Brasil o consumo chega a 23,45 bilhões.
O presidente do Sindocombustíveis, Roberto Fregonese, disse ontem que a campanha trará todos estes números à tona. ‘‘Queremos transparência. O consumidor tem de saber o que está pagando e nós não podemos ficar levando a culpa’’, afirmou.
Fregonese disse que a pesquisa feita nos postos indicou que hoje a margem de lucro no comércio varejista de combustíveis de R$ 0,15, proposta pelo governo federal, ‘‘é insuficiente’’, pois apenas cobre o custo operacional. Mas para isso, o posto tem de vender acima de 220 mil litros de combustíveis ao mês.
LondrinaOntem, os preços dos combustíveis começaram a baixar em Londrina em vários postos. No Posto Esperança, que vende o litro da gasolina a R$ 1,489 e o do álcool a R$ 0,889, os consumidores enfrentaram longas filas durante toda a tarte. Outros postos da cidade estão cobrando R$ 1,499 pela gasolina e R$ 0,92 pelo álcool mas a maioria continuava, até o início da noite, trabalhando com a média de R$ 1,57 e R$ 0,98.
O proprietário do Posto Esperança, Ariovaldo Ferraz Arruda, acredita que os preços vão continuar caindo nos 106 postos do município. ‘‘É a lei de mercado. Fui obrigado a reduzir por causa da concorrência’’, disse. (Colaborou Cláudia Lopes)

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