Campanha de 97 prioriza o emprego
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quinta-feira, 21 de agosto de 1997
Carmem Murara Curitiba 
A campanha salarial dos bancários, lançada ontem no Estado, vai priorizar este ano a garantia do emprego e não só o reajuste salarial. Nos últimos sete anos foram fechados 38% dos postos de trabalho na rede bancária nacional, o que totaliza 314,3 mil demissões, segundo dados da Federação dos Bancários. Somente no Paraná foram demitidos 10,6% dos funcionários no ano passado.
A presidenta da Federação dos Bancários ligados à CUT, Mariza Stédile, disse que antes de lutar por reposição dos salários é necessário garantir a interrupção do desemprego. O reajuste é importante para manter o nível de compra da população. Por outro lado a preocupação em manter o emprego é maior, afirmou Mariza.
Para tentar manter o nível de emprego, o Sindicato dos Bancários tem duas propostas básicas: redução de seis para cinco horas na jornada de trabalho e aumento de duas horas no horário de abertura das agências para o público. Os bancos manteriam as portas abertas das 9 horas até as 17 horas. Com a prorrogação do horário de atendimento ao cliente, os bancos seriam obrigados a manter duas equipes de trabalho.
Mariza Stédile afirmou que, proporcional ao desemprego, tem crescido o lucro dos bancos. Os nove maiores bancos do País tiveram um lucro líquido de R$ 2 bilhões no primeiro semestre deste ano. Então, nada mais justo que reivindicarmos salário e emprego, disse a sindicalista. Pesquisa feita pela Federação mostra que a cada dia acontecem 174 demissões de bancários no País.
Além da questão do emprego, os bancários pedem uma reposição salarial de 23,82%. O percentual foi calculado com base na inflação apurada pelo ICV-Dieese, que apontou um índice de 7,54% de setembro do ano passado até agosto deste ano. Os bancários querem ainda um resíduo de 3,14% relativo ao INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e 11,63% de produtividade.
A pauta de reivindicações dos bancários foi entregue à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) no dia 7 deste mês. A negociação deve começar na próxima semana. Independente da proposta apresentada pelos bancos, o sindicato já programa uma manifestação para a próxima quinta-feira. Os bancários vão divulgar o balanço anti-social dos bancos. O relatório é um contraponto ao balanço social que as instituições financeiras fazem a cada seis meses. O documento traz os números de demissões e a redução de programas que beneficiam os funcionários.


