Campagnolo é reeleito presidente da Fiep
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quarta-feira, 05 de agosto de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
O empresário Edson Campagnolo foi reeleito ontem para a presidência da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) para o mandato de 2015 a 2019. Dos 96 sindicatos industriais com direito a voto, 93 enviaram dirigentes ao pleito e 86 aclamaram a chapa Fiep Unida e + Forte, com oito votos brancos ou nulos. Outros 23 foram reconduzidos à nova diretoria e 29 são novos em relação à Executiva atual.
Campagnolo chegou a ser criticado durante o processo eleitoral pelo presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e Material Elétrico de Londrina (Sindimetal), Valter Orsi, que era vice-presidente da Fiep, por tentar a reeleição quando existia acordo para a alternância de comando. Reconduzido ao cargo, ele disse que a questão é "página virada". "Tivemos recorde no número de sindicatos votantes e considero que 86 votos favoráveis em 93 possíveis tiram qualquer peso ou problema pela reeleição."
O presidente reeleito destacou o enfrentamento da crise econômica como um dos principais desafios para o Paraná e o País, o que também considerou como motivo para buscar a reeleição. "Para piorar a situação, temos uma crise de valores, com denúncias não só federais, e precisamos incentivar o empreendedor, o trabalhador e o industrial a participar da vida política do Estado", disse.
Sobre as operações Lava Jato, que investiga desvios em empresas públicas federais, e a Publicano, que apura esquema na Receita Estadual, ele acredita que é preciso trabalhar para limpar a mancha que atinge a reputação de todos. "Temos duas marcas ruins, no Paraná e no País, e é uma oportunidade de repensar o Brasil, porque fica a impressão de que todos os empresários, todos os funcionários públicos são bandidos, quando sabemos que é uma minoria", sugeriu Campagnolo.
Como proposta para enfrentar as duas crises, afirmou que buscará dar suporte à indústria e à qualificação para o trabalhador, para melhorar a competitividade regional. Porém, voltou a cobrar a participação de toda a sociedade na vida política. "Vamos incentivar que todos cobrem seus representantes, porque houve um verdadeiro estelionato nas últimas eleições, tanto na federal quanto na estadual. Se os eleitores soubessem dos números, talvez o resultado não seria o mesmo", criticou.
Questionado se a reeleição na Fiep e a cobrança pela participação política indicariam o interesse de concorrer ao governo do Estado, ele não rejeitou a ideia. "Considero que a oportunidade deve ser analisada no tempo e lugar correto. Não está nos meus planos hoje, mas já fui chamado a concorrer a posições nas quais não me via no passado, então não digo que não vou fazer."
A nova diretoria da Fiep contará com quatro representantes de Londrina, mesmo número da gestão anterior, além de outros de cidades da região. Serão vice-presidentes da entidade o reeleito Osmar Alves, do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon), e Ary Sudan, do Sindimetal. Itamar Carlos Ferreira, do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Norte do Paraná, foi reconduzido a tesoureiro e Allan Gomes Guimarães, do Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Norte do Paraná (Sinquifar), será diretor suplente.
Sudan considerou como desafio para Londrina o fortalecimento do setor e da cidade como polo de tecnologia da informação (TI). "O município precisa de mais indústrias e temos dificuldades para atraí-las, mas, com representação, teremos mais força."
Para Alves, é preciso desonerar o setor produtivo e qualificar a mão de obra, por meio do Sesi e do Senai. "Os governos estão muito vorazes na cobrança de impostos e entendemos que isso prejudica o industrial, a produção, os empregos e toda a cadeia."
Com a saída de Orsi, presidente do Sindimetal, da diretoria da Fiep, Sudan, vice da mesma entidade em Londrina, assumiu o posto. Mesmo com as críticas à reeleição de Campagnolo por parte de Orsi, ambos disseram que não há problema entre os envolvidos. "O Sindimetal é um dos mais atuantes na federação e, apesar de não apoiarmos a reeleição, decidimos que temos de ser representados na diretoria da Fiep", afirmou Orsi.


