Indignados com a alta nos custos, principalmente do óleo diesel e o baixo valor que recebem pelo frete, caminhoneiros voltaram a fazer manifestações nas rodovias do Paraná durante o fim de semana. De acordo com a Central de Operações da Viapar, concessionária que administra a rodovia BR-369, na praça de pedágio de Arapongas, durante todo o dia de ontem os caminhões e veículos de carga foram impedidos de seguir viagem e formaram filas de cerca de três quilômetros nos dois lados da rodovia. Veículos de passeio, ônibus e veículos que transportavam cargas vivas foram liberados pelos manifestantes. A tarifa do pedágio foi cobrada normalmente no local.
Conforme a FOLHA apurou, os protestos são motivados pelo baixo valor do frete, aumento do Imposto sobre Veículos Automotores (IPVA), o pedágio e o preço do combustível. Carlos Roberto Della Rosa, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Londrina e vice-presidente da Federação Interestadual dos Transportadores Autônomos de Bens (Fenacam), informou que o movimento surgiu espontaneamente entre os motoristas. "Todo mundo está muito revoltado. Soube de lugares onde despejaram soja no asfalto. Mas os protestos são espontâneos, estamos apenas acompanhando, sem atuar diretamente", disse.
Segundo Della Rosa, a orientação do sindicato é aguardar até o dia 6 de março, quando entidades representativas dos caminhoneiros de várias regiões do Brasil se reúnem em Curitiba com o ministro dos transportes, Antonio Carlos Rodrigues. Na ocasião, pretendem entregar a ele uma lista de reivindicações da categoria. "A mais importante é os estabelecimento de uma planilha de custo por quilômetro rodado, no valor mínimo de R$ 3,20", antecipou.
O sindicalista explica que este é o valor mínimo a ser pago por frete para remunerar dignamente os motoristas. "Atualmente, recebemos R$ 1,7 mil por uma viagem de mil quilômetros que custa R$ 2 mil. É um valor que dá prejuízo, por isso muita gente está preferindo não viajar. Com a planilha, o motorista vai receber pelo menos R$ 3,2 mil, que é um valor justo", comparou. A orientação do sindicato é que a categoria mantenha a calma até a reunião do dia 6. "O pessoal está revoltado. A tendência é que os protestos continuem."
Conforme informações da Polícia Rodoviária Federal, houve concentração de caminhoneiros em rodovias federais nos trechos de Arapongas (BR-369), Apucarana (BR-376), Medianeira (BR-277), Guarapuava (BR-277), Santo Antônio do Sudoeste e Pérola do Oeste (ambas na BR-163). A Polícia Rodoviária Estadual informou que manifestações também foram realizadas em Nova Prata do Iguaçu (PR-471), Marmeleiro, Mariópolis e Clevelândia (PRC-280), Dois Vizinhos (PR-281), Francisco Beltrão, (PR-483), Itapejara do Oeste, (PR-566 e PR-493), Manoel Ribas (PRC-487), Vitorino (PRC-158), Jardim Alegre (PR-466) e em Realeza (PR-182). (Com Equipe Bonde)

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