Caminhoneiros têm linha de crédito
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quinta-feira, 30 de novembro de 2000
Roberto Cordeiro Agência Folha 
O governo lançou ontem uma linha de financiamento para a renovação da frota de caminhões no País. O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, disse que a medida vai possibilitar a troca de 200 mil caminhões que pertencem aos motoristas autônomos. O chefe do Departamento Regional do BNDES, Ruy Coutinho, explicou que as vantagens são juros mais em conta e carência de 12 meses para o início do pagamento da primeira prestação.
O presidente da Federação Interestadual dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral (Fetrabens), José da Fonseca Lopes, disse que o objetivo de Padilha com o financiamento é evitar uma greve nacional da categoria prevista para ser deflagrada no dia 20 de janeiro de 2001. Fonseca disse à AE que o presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho, estaria articulando a mobilização da categoria.
Isso não vai ajudar em nada porque o financiamento em si não resolve, afirmou Fonseca. O ministro discordou da posição do sindicalista e informou que o governo já atendeu 14 reivindicações da pauta proposta pelos caminhoneiros. Padilha assegurou que a linha de crédito para compra de caminhões novos era um dos pedidos dos autônomos. Temos mais uns 40 itens para atender e estamos conversando com a categoria para achar a solução dos problemas, disse o ministro.
Financiamento Para lançar o programa de financiamento de aquisição dos caminhões novos, o ministro Padilha promoveu uma cerimônia no auditório do Ministério dos Transportes. Coube ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, explicar que o BNDES montou um programa especial através da Agência Especial de Financiamento Industrial (Finame), para atender os motoristas autônomos.
Ruy Coutinho informou que o empréstimo proposto pelo governo é seis pontos porcentuais menor se comparado com as taxas praticadas pelos bancos privados. Na sua avaliação, devido a falta de garantia do negócio, os caminhoneiros estavam com dificuldades de obter o crédito.
No caso do financiamento através do Finame, a garantia do pagamento é o próprio caminhão. Uma outra vantagem é que o caminhoneiro só começa a pagar a primeira prestação um ano após comprar o carro, assegurou.
O vice-presidente de Assuntos Corporativos da Volkswagen do Brasil, Miguel Jorge, disse que esse modelo de financiamento vinha sendo sugerido pelas montadoras. Segundo ele, ainda não há previsão sobre o volume de recursos a ser emprestado aos caminhoneiros. Isso representa um ganho extraordinário para a categoria, disse o executivo.


