Caminhoneiros reclamam falta de combustível
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de novembro de 2002
Gilmar Agassi<BR>Equipe da Folha 
Cascavel A Associação dos Caminhoneiros Autônomos de Cascavel (Associavel) enviou um ofício à Agência Nacional de Petróleo (ANP) solicitando uma verificação nas distribuidoras de combustíveis. A entidade alerta que, por causa do reajuste dos combustíveis, as empresas estão esperando para repassar o produto já com o novo preço.
O presidente do Associavel, Jeová Pereira, ressalta que recebeu várias reclamações de motoristas que estão encontrando dificuldade para abastecer os caminhões. Na nota enviada à ANP, a Associavel diz que os caminhoneiros da região correm o risco de paralisar o transbordo de cargas devido à falta de óleo diesel. ''Já que vai aumentar mesmo, é melhor repassar logo o preço, porque corremos risco de não podermos pegar a estrada por falta de combustível'', reclama.
De acordo com a Associavel, as distribuidoras alegam que o fato de não estarem repassando combustíveis é responsabilidade da Petrobras que não teria fornecido cotas extras de petróleo. O proprietário de posto, Rosalvo Tavares, conta que um caminhão de sua empresa está parado na refinaria na cidade de Araucária, por causa da falta de combustível.
O vice-presidente do Sindicombustível, Roberto Pelizzetti, não acredita que as distribuidoras estejam se negando a repassar o produto. Ele frisa que quando há iminência de alta nos preços, todos postos querem encher seus tanques para estarem preparados, já que a procura aumenta. ''A demanda está muito grande e as distribuidoras não conseguem atender a todos'', explica.
Em vez do óleo diesel, Pelizzetti diz que existe possibilidade de faltar álcool nos postos. Ele observa que, com a desvalorização do real, os usineiros estão preferindo produzir açúcar, que está com o preço alto, em detrimento do álcool. ''Os novos preços do álcool que recebi hoje (ontem) vieram com um reajuste de 30%. Assim fica difícil'', reclama.
O vice-presidente do Sindicombustível comenta que o governo aumentou o preço do álcool porque foi forçado pelos usineiros. Ele afirma que a única vantagem do álcool é o fato de ser menos poluente que os demais. ''Ter carro a álcool se tornou inviável'', conclui Pelizzetti.


