Caminhoneiros reclamam diária e ameaçam fechar pátio de triagem
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de março de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Um grupo de aproximadamente 50 caminhoneiros ameaçou fechar novamente o pátio de triagem do Porto de Paranaguá na manhã de ontem. Eles reclamavam que as empresas para a qual carregavam não tinham assinado o acordo que previa o pagamento da diária de R$ 0,40 a tonelada/hora, conforme acertado entre as lideranças de caminhoneiros e as empresas transportadoras.
O episódio exigiu a interferência do presidente da União Nacional dos Caminhoneiros, José Araújo Silva, o ''China'', que explicou que o acordo firmado em Paranaguá foi emergencial para contornar a crise que paralisou o porto na semana passada. ''O acordo não abrange os caminhões carregados depois da zero hora e um minuto do dia 22 de março como foi o caso dos caminhoneiros que estavam protestando no pátio do porto'', explicou.
No acordo, os caminhoneiros conseguiram que as transportadoras colocassem em tempo recorde cerca de R$ 20 milhões para o pagamento das diárias, que passaram a contar a partir das praças de pedágio da Lapa e de São Luís do Purunã. E não a partir da praça de pedágio de São José dos Pinhais, como era contabilizado, disse o líder dos caminhoneiros.
China reconhece que agora os caminhoneiros voltam a uma situação frágil, em que o pagamento das estadias é mínimo, variando de R$ 0,15 a R$ 0,25 a tonelada/hora para quem ficar parado a partir de 75 horas em fila. O líder dos caminhoneiros disse que dentro de 15 dias uma nova reunião deverá ocorrer com os sindicatos das transportadoras e com o governo federal, ''duas entidades que se omitiram na greve de Paranaguá'', salientou.
Os caminhoneiros vão brigar para estabelecer um contrato permanente que prevê o pagamento de R$ 0,40 por tonelada/hora para aqueles que ficarem parados em fila à espera para descarregar.
Até ontem a tarde, dos seis mil caminhões que ficaram retidos na BR-277 durante a greve do porto, cerca de 15 deles ainda não haviam recebido a indenização pelos dias parados, entre 16 e 22 de março. A União Nacional dos Caminhoneiros fez um ''corpo-a-corpo''junto às empresas que não haviam feito o depósito e conseguiram com que quase todas garantissem o pagamento das estadias até ontem à noite. O Porto de Paranaguá está sem filas de caminhões desde a manhã de sábado.


