Curitiba - Com o fim da greve no Porto de Paranaguá, os caminhoneiros parados na BR-277 só desbloquearam o pátio de triagem e iniciaram o descarregamento de suas mercadorias no início da noite de ontem. Durante o dia, eles se recusaram a descarregar enquanto não fosse depositado cerca de R$ 20 milhões em cartas-frete, valor correspondente às indenizações dos dias parados. O dinheiro começou a ser depositado ontem mesmo.
Em assembléia realizada na noite de quarta-feira, quando o fim do bloqueio foi votado no pátio de triagem, os caminhoneiros surpreenderam até mesmo as lideranças quando exigiram o depósito imediato da indenização para todos que estivessem parados na fila.
Até o meio da tarde de ontem, haviam sido chamados 158 caminhões para descarregar a mercadoria, mas nenhum deles atendeu ao chamado exigindo o cumprimento do acordo que previa o pagamento da indenização sobre os dias parados. Eles fixaram o valor de R$ 0,40 por tonelada/hora para a estadia dos caminhões.
Os auditores fiscais da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) passaram o dia ligando para as empresas embarcadoras pedindo agilidade nos depósitos para que a fila de caminhões começasse a andar. De acordo com o auditor fiscal Fábio Lantmann, foi criado um impasse operacional porque nem todas as empresas tinham o valor do depósito de imediato. Outras tinham problemas de comunicação com as redes bancárias para agiliar o repasse do dinheiro. No início da noite mais de 20 empresas já tinham confirmado o depósito.
Os caminhoneiros resistiram em solidariedade aos companheiros, porque queriam ter a certeza de que todos seriam indenizados. De acordo com o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná, Diumar Bueno, para o pagamento das indenizações foram computados a presença de aproximadamente cinco mil caminhões com uma média de dez dias parados.
Segundo Bueno, os caminhoneiros ficaram inseguros porque no passado quando foram feitos acordos com os embarcadores, as empresas concordaram em pagar a estadia e em seguida suspenderam os pagamentos. Pelo acordo firmado anteontem, os caminhoneiros passam a receber a estadia estabelecida 28 horas após a passagem nos pedágios de São Luís do Purunã e da Lapa e de 26 horas após o pedágio de São José dos Pinhais, na BR-277.
O presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abicam), José da Fonseca Lopes, ficou insatisfeito com o acordo feito em Paranaguá. Ele prevê o retorno do problema em um mês. Isso porque as empresas exportadoras, que se responsabilizaram pelo pagamento das estadias, repassam essa responsabilidade para as transportadoras em troca apenas da garantia do frete. ''Ocorre que as transportadoras de menor porte não têm suporte financeiro para pagar as estadias e por isso o caminhoneiro fica na mão'', explicou.
Após o final da greve, a América Latina Logística (ALL) conseguiu descarregar 300 vagões com grãos na quarta-feira e 350 vagões ontem. Os dois dias juntos não atingem à movimentação normal de um dia que corresponde ao descarregamento de 700 vagões/dia.

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