Curitiba - Os caminhoneiros e transportadoras do Sul do Brasil fizeram ontem uma prévia da reunião que deve acontecer no dia 13 em Brasília para discutir a jornada de trabalho dos motoristas. Eles defenderam na reunião de ontem que a liminar concedida pela Justiça do Trabalho de Rondonópolis (MT) deve ser cumprida mas com algumas modificações. A decisão judicial limita a jornada semanal de trabalho em 44 horas semanais.
O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindicam-PR), Diumar Bueno, disse que a liminar deveria indicar os pontos de parada que os motoristas terão para descanso. ''Hoje, isso não existe na nossa estrutura rodoviária'', afirmou. Ele destacou que os caminhoneiros não são contra a limitação do tempo de direção mas defendem que 44 horas semanais seria um período muito restrito. A proposta dos trabalhadores é de uma jornada de 12 horas diárias com oito horas de descanso ininterruptas, além de uma parada de 30 minutos a cada quatro horas de estrada. ''Ficar parado na rodovia descansando causa estresse e o motorista fica ocioso'', disse.
A reunião de ontem aconteceu na Federação das Empresas de Transportes de Cargas do Sul (Fetransul), em Porto Alegre, e reuniu transportadoras e caminhoneiros dos três Estados do Sul. As propostas devem ser levadas para a reunião que acontece na Confederação Nacional do Transporte (CNT), em Brasília, no próximo dia 13.
Ontem, a Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Paraná (Fetropar), defendeu o controle da jornada de trabalho e se mostrou contra os sindicatos patronais e de autônomos do setor de transporte de cargas do Paraná. A Fetropar é contra a ameaça de greve anunciada pelas transportadoras.
''Esta ameaça de greve dos patrões vai contra uma decisão judicial legítima que visa cumprir a legislação trabalhista e diminuir os acidentes nas estradas. O controle de jornada é totalmente viável a partir do registro do tacógrafo ou do monitoramento via satélite'', disse o presidente da Fetropar, Epitácio Antonio dos Santos.
''O Ministério Público está defendendo o interesse da sociedade como um todo. Para suportar longas jornadas, motoristas estão fazendo o uso de drogas laborais, que trazem insegurança às estradas. Os acidentes não atingem só os motoristas profissionais, mas toda a população'', disse o advogado da Fetropar, André Passos.
Santos lembrou que o Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso realizou uma pesquisa sobre o uso de drogas entre caminhoneiros. O levantamento apontou que cerca de 30% dos motoristas estariam fazendo uso de drogas como anfetaminas e cocaína para cumprir as longas jornadas de trabalho.
Santos defende que a liminar vai garantir direitos ao motorista como hora extra, adicional noturno e descanso semanal remunerado. ''Para exigir viagens mais longas, os empregadores terão que optar por dois motoristas, como o que ocorre nas viagens longas no transporte de passageiros'', destacou.

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