Caminhoneiros podem entrar em greve hoje à meia-noite
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terça-feira, 24 de julho de 2012
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
Lideranças ligadas ao Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC) pretendem lançar mão de piquetes nas estradas, a partir da meia-noite de hoje, para garantir o início de uma greve nacional que vem sendo articulada nas últimas semanas. O movimento não é consenso na categoria. Mais de 20 entidades, incluindo a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), divulgaram um manifesto contrário à paralisação.
Nas estradas da região, conforme apurou a FOLHA, a maioria dos caminhoneiros diz que vai cruzar os braços, mas nem todos apoiam a pauta de reivindicações do MUBC. Alguns dizem que vão parar com medo de vandalismo.
Uma das principais reivindicações do movimento é a prorrogação por um ano dos efeitos da lei 12.169, que regulamenta a profissão de motorista e obriga a categoria a descansar meia hora a cada quatro horas ao volante e 11 horas ininterruptas entre dois dias de trabalho.
O MUBC também quer a revogação da resolução 3.658, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que estabeleceu um novo formato de pagamento do caminhoneiro autônomo. Antes da resolução, a categoria recebia os valores de frete por meio da carta-frete, um documento informal fornecido pelo contratante, que o motorista trocava na hora de abastecer.
Funcionava da seguinte forma: o posto de combustível ficava com a carta-frete, descontava o valor do abastecimento e devolvia o restante ao caminhoneiro em dinheiro ou em outro cheque. Como demorava até um mês para receber do contratante, o posto cobrava mais caro do caminhoneiro pelo óleo diesel.
Com a resolução 3.658, que passou a ser fiscalizada em maio deste ano, a carta-frete foi proibida. Agora, os caminhoneiros só podem ser pagos por depósito em conta corrente aberta em seu próprio nome ou por meio de cartão magnético administrado por empresas homologadas pela ANTT.
A mudança gera custo para o contratante que opta pelo pagamento neste último formato. Além disso, a resolução obriga o contratante do autônomo a obter, pela internet, o Código Identificador de Operação de Transporte (Ciot), o que acaba com a informalidade e a sonegação de impostos no setor.
Neuri Tigrão, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Ponta Grossa (Sinditac) e representante do MUBC no Paraná, garante que a greve vai ocorrer e durará até que as reivindicações da categoria sejam atendidas. ''Faz 60 dias que estamos rodando o Brasil para dizer ao caminhoneiro que ele tem de se valorizar e que tire uma semana para ficar em casa com a família'', afirma.
Quem não quiser permanecer em casa pode enfrentar problemas, segundo Tigrão. ''Não será o MUBC, mas os caminhoneiros devem montar piquete'', admite. O sindicalista diz que o movimento não é contra a lei 12.169, mas quer o seu adiamento porque não existem locais adequados nas estradas para os motoristas descansarem.
Apesar de constar da pauta do movimento a revogação da resolução 3.658, Tigrão diz não ser contra o fim da carta-frete. ''Queremos que o caminhoneiro possa receber em dinheiro'', ressalta. De acordo com ele, a greve contará com o apoio das ''grandes'' transportadoras.



